14.6.10

Conto por desconto.



Certeza é que não se pode reviver nenhum momento, nem pra reverter, ainda que o futuro possa milagrosamente mudar todo o desfeche. E a esperança clama o "seja o que Deus quiser" uma vez que, nas milhares de orações, já foram transparentes as inquietações e vontades latentes.

Se lágrimas não saem dos olhos, as palavras desaguam dos dedos. E sofrem, e expressam e salvam meus sentimentos...todos eles, mesmo aqueles que estão agonizando por indução, sendo absorvidos pelos mais sórdidos que insistem em rogar a aparição. Ciúme, inveja, raiva, inferioridade, disfarce, acaso isso leva alguém a alcançar prosperidade?! Aí é que me sinto humana e me doo a razão, já nem sinto! Porque se me der ao coração, me conheço, pago um caro preço e não tenho mais suporte pra sofrer não.

Tudo começou com o remédio de alergia, me deixou mal por todo um dia, lerdeza após uma noite diferente de alegria. Na confecção de um artigo os olhos latejavam e ardiam, até quando tragicamente eu decidi sair de casa... e em minha casa Deus colocou uma amiga que topou na hora nossa saidinha. 

Começou errado porque a comida foi pedida em um lado e a sede por um bebida que era suíça em outro canto. No intuito bate-e-volta encontramos quem nos fizesse perder a rota, porque tocou no coração. Trocando as massas, os quilos à mais não seriam mais em vão. A consciência acusava que não seria uma boa ocasião, mas nas mãos erradas pesou a decisão. Nada tirava da minha cabeça que estava tudo encaminhado, segui certeiro o caminho errado.

A comida pedida foi deixada, depois seria pega e guardada para outra refeição... mas o estado emocional dopada comprometeu a situção. Pensamentos não eram concluídos, meus ouvidos ouviam zunidos de todas as conversas que ousaram fluir. Psicologia? Filme? Lembranças em seguida. Somente as músicas ambiente conseguiam ser entendidas seguindo uma linha de conclusão. Quando conseguia me manifestar não era ouvida ou o assunto acabara de terminar. Os olhares eram cruzados, era reto um interesse e de mim partia torta a reciprocidade, mas que continuava sendo familiar. 

A espera era longa no caminho de casa, que nos levaria pra mesma rua, a vila já nua! E a consciência agora crua, gritava o erro que ia deixar uma péssima impressão ficar, mal sabendo que as coisas ainda começariam a sequenciar. 

A amiga pendurou-se no celular no meio da rua, coadjuvantes bandearam pra algum lugar e sobramos nós, sós, o desejo e o alheio, na penumbra. Sobrou o sono e a demência. A proza confusa, muita inocência! Ou talvez, 50% pro sim e pro não...confiança, certeza, falsidade ou manipulação. Maldade e nervoso. O ponto fraco foi tocado, surpreendente porque achava estar encerrado, mas foi o cume pra começar o declínio, inversão. 

A percepção chegou tarde que a intenção era outra ao iniciar um assunto, e com os burros n'água despejei confissões que foram certamente escutadas como carga. A vontade não se unia no lugar da estadia, mas senti que pairava uma obrigação. Descobertas houveram e a mais trágica delas foi que seria um interesse em vão... enxergava surgir uma questão, a que eu aguardava por alguns dias, mas ela não seria minha, não corresponderia minha emoção, não me faria sentir à vontade e retornar à coesão. 

Lembrei-me de um convite feito antes, pra mim e minha amiga, percebi que ela era a razão... fim de noite, lembranças, sono mal feito, arrependimento e o querer acreditar que entendi errado e que ele esqueceu o fato que explodiu em mim enloquecida irritação. E as horas passavam, os pensamentos eram rapitados do rumo que deveria seguir, e tudo indicando que terça estariamos juntos novamente assistindo um jogo da seleção. Haja coração, êh pressão! A amizade sem culpa continua e tenho expectativa que vou sobreviver... pode ser neurose e tudo se converter.

(obs.: personagem não literalmente entra em ação! ;] )

2 Comentários:

  1. Êta que orgulho dessa escritora!!!!!
    Excelente texto, Lay.
    Parabéns, linda :))
    Beijos

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  2. Nossa, felicidade se mistura com constragimento tendo uma das minhas inspirações lendo meu texto. Mas o elogio me incentiva muiito...
    Brigada Liz, volta sempre! :D

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