17.11.10

Volta, por favor!

"Não importa em quantos pedaços teu coração foi quebrado,
o mundo não para para que você concerte."
(Sheakespeare)



Olhava com apego, sentia que a qualquer momento poderia me desfazer em lágrimas, porém paralisei com a idéia de ter que deixá-lo ir. Deixá-lo significava perder-me, deixar que fosse embora tudo que sou e tudo que havia sido um dia. Era dramático, traumático, irritante, mais forte que eu, e seria difícil me convencer e convencer que não era culpa minha.

Gritei, mas volume algum da minha voz modificaria o destino, o mundo em volta passava fingindo estar despercebido bem ao lema "cada um no seu quadrado". Às vezes me indigno. Como as pessoas podem ser tão indiferentes com o próximo? Por quê em meio a tanta gente ninguém se envolvia? Ninguém dizia nada? Porque elas chegaram a esse patamar?  Mas acabo entendendo, quem vai querer ter mais um problema? Fazer o quê? Mas e ele? Por quê ele faz isso comigo? Por quê?

Corri, mas por mais que visse a meta, me afastava. Estava em direção contrária.  Era inútil e eu não conseguia acreditar. Queria somente alguém, um ser que conseguisse me acalmar naquele momento. Maldita teimosia insistente.

Parei, porque a situação ultrapassava meu poder. Seria um ato de desistência ou proteção que eu reconhecia como cansaço. Meus passos não converteriam seus desejos e fim.

Pensava, pensamento contínuo de um futuro que me angustiava. Como? Onde? Quando? Mas será?! No fundo ainda tinha esperança. Era fato que ele iria, mas poderia voltar... era fé de uma filha dO dono do mundo, que é redondo e que dá voltas.

Sentia. Doía em fúria! Era raiva, era mágoa...e eu, eu era o alvo, tinha quase me esquecido.

Temia. Estava a deriva de suas vontades, seus princípios, e realmente não sabia, não tinha métodos para detê-lo. Ele tinha posse e domínio, me roubou de mim...  teria que mudar se quisesse um futuro, marcado, mas livre.

Descria, queria acordar a qualquer momento suando frio. Contrário ao calor que fazia naquele pesadelo de vida real.

Aconteceu. Aquele homem, com gestos simples e tranquilidade estonteante levou minha bolsa,  das minhas mãos. "Lerda! Distraída... sem um tapa, um arranhão!", levou tudo que tinha. Agora eu estava caminhando rumo à delegacia pela primeira vez, com indignante medo de uma criança  perdida em uma capital e certeza de que enfrentaria toda uma burocracia para sair novamente da lista dos indigentes, recuperando meus documentos outra vez. Eu teimava que não teria pior forma de me machucar, me alertaram que teria...

Eu amo essa música,



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