19.12.10

Horizontais e Horizontes

"Penso em mim, em tudo aquilo que ainda sou eu...
uso a coragem não somente pra dizer adeus.
Mentiras, sonhos e perdões que a vida me deu."
(Ana Carolina)



Com lágrimas e soluços entalados, um susto e relatos de quem acorda pra escrever e dorme pra esquecer;

Lembrando de todos os amigos e amores, de você é que me lembro mais! Lembrei do quanto sentia falta daqueles momentos que se transformavam em depoimentos e que sempre lia em minha página e pregava dentro de mim. Letras itálicas ou em negrito que variavam as cores, mas continham dose de paixão que me motivavam crer na inexistência de algo que fosse novo e conseguisse ser similar.

Consegui novidades, distintas e que me agradavam de forma semelhante. Me transportei aos depoimentos que imaginei mandar e aqueles que poderia ter recebido. Um sentimento novo, uma vontade disperta que me causava medo e dor. Demorou o tempo de encontrar apego no ego, mas percebi que era ruim esperar confirmação preservando desejos. Teimava em questionar se quem importa se importava, me desculpava na diferença de gênero para alimentar a recém nascida insegurança.

Eu sei que não existe nós, nem brincadeiras e intimidades que só nós entenderiamos. Existe lugares que lembram, que foram seus, que são meus, são nossa história. Eu sei que talvez após os delongados momentos inusitados e palpáveis nunca existiu nada além dos meus planos e tuas mínimas tentativas. Tudo ficou diluído no quase um ano, nos destinos que seguiram curvos, talvez simétricos, mas que ganharam quilômetros e pessoas "horizontais", horizontes pessoais.

Mudei interpretações do que enxergava, relevava mediante desculpas que construia por ti pra mim. Foram pontos excêntricos de nós dois que descontruíram uma frase curta, um sentimento infindo. Aprendi a irrelevância das condicionantes, tanta causalidade! Me preservei e estou preservada junto com toda a magia que poderia ter sido externada e uma esperança futuristica que calo.

Erramos iguais, maneiras diferentes, quereres incognitantes. Faz sentido e foi intenso pra mim. Antes que você leia sorrindo, pensando no quanto disfarçava mal, sei da minha incapacidade de encenar que me fez perder, quanto fui idiota e possivelmente continuo sendo por não conseguir esquecer, ridículo! eu lembro da ponte que tornei muro e reconheço que o "poderia" é culpa minha e dos sussurros conhecidos, os poucos incentivadores. Te culpo apenas pela rapidez de escolha e troca, por não ter sido opção além de briquedo, de possessão, de sucessivas desconsiderações. Tentei acatar as dicas de seus gostos, mas mulheres poderosas se escolhem no final.

É, a tua intimidade recente e ausência frequente mistura-se com os risos pelos momentos que não se concretizaram por medos. Era preciso que soubesse derrubá-los, tivemos tempo! E não seria agora outro medo? O medo de me fazer exposta demais te transformando num pretencioso senhor da verdade?! O aparente bem estar, a simpática aproximação, o não-saber-prevendo, tudo que aconteceu não me faz pensar no futuro diferente como algo promissor. Mas quero querer! Preciso. Prolongar a espera? Nenhuma garantia. Ainda espero garantias de algo que por essência é arriscado. A razão prefere acreditar que apenas despertaria sentimentos anestesiados.

Mas aí eu deito de novo e meu determinante de sonhos me questiona se vale a pena deixar que roubem as poucas e melhores lembranças que um dia rabisquei nas paredes roxas e rocas do meu quarto, quando arranquei junto o coração que fechei pra balanço. E eu apenas respondo à mulher que tornaste menina: talvez não. No fim, são coisas boas. No fundo, saudade!


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