30.1.11

Na vitrine

Como um troféu no meio da bugiganga,
você me deixou de tanga,
ai de mim que sou romântica...
pena que você não me quis.
(Daniela Mercuri)



Desta vez parei e não significava consumismo nem tinha explicação clara. O brilho que aflorava daquela vitrine iluminou a pausa que dedicaria ao descanso se meus olhos não tivessem dilatado de forma que acionou todo o sistema imaginário. Aquele sorriso bobo tinha um motivo que certamente não se encontrava no que qualquer mercenário pudesse compreender. Estava muito além de um sonho tangível e me pergunto se não preferia que tivesse um preço monetário caro, ainda assim seria mais fácil de obter.

 Naquele momento o que me consumia era uma súplica por tudo que é mais valioso, que nenhuma vendedora interrompesse meus sonhos com educação na intenção de ajudar. Não porque demoraria e não aceitaria opinião na escolha já feita, não pela análise minuciosa que poderia dedicar às pedras ou a quantidade de ouro, mas não tinha mínima noção de quão distante um par de alianças poderia me transportar.

Elas não foram capazes de te atingir e enlaçar, não te fariam saber que só você me viria ao pensamento como par, mas elas dispararam meu coração me surpreendendo a emoção de conseguir visualisar a felicidade que emanaria de mim no dia em que pudesse ser portadora daquele anel simbólico posto por você em meu dedo. Sem que me desse conta de ornamentação ou plateia, naquele noivado não me importou o designe ou a falta dele que tivesse o anel, só sua voz naquele pedido.

Eu que embora reconheça a importância e adore a comemoração, nunca pirei por meu casamento. Que sei que pra nós dois liberdade é negócio de lucro. Sei quão comum é no setor masculino a convenção soar como um tormentoso se "enforcar". Pra mim, não custou nem mesmo uns "juros" como tentativas tuas para me convercer e me ganhar. Sorria e brilhava, sentia resplandecer aquela emoção forte que me tomou por inteiro, na velocidade da história que montei em minha dura cabeça que não quebra essa idéia.

Mesmo assim percebi que o valor que te dou não seria capaz de te encantar. Ainda permanece seguro, pouco palpável, guardadinho na caixinha, esperado, apreçado inestimavelmente e quem sabe para sempre. É, sei que o tempo pode me deixar refletindo na pratileira, talvez seja admirada e na melhor das hipóteses pessoas que passeiem felizes pelas passarelas dos nossos shoppings te contagiem me indicando como alta na bolsa de valores. Mas enquanto atravesso a linha do sonho para realidade ainda espero ser dona do teu apreço sem que isso tenha o preço de que perca muito tempo assistindo nosso brilhante elance por vitrines.

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