14.2.11

Em corda


Se um dia eu pudesse ver meu passado inteiro
E fizesse parar de chover nos primeiros erros,
Meu corpo viraria sol, minha mente viraria sol
Mas só chove, chove, chove, chove!

(Capital Inicial)


Calmaria em uma sexta-feira nublada, chuvosa do jeito que tanto gosto e que há tanto não degustava. Ainda estava instalada na cidade que não mais sinto tão minha, ainda desfrutava do pleno verão, ainda sentia o ainda, certamente contraditório ao indício de que o clima de mudança anda se perpetuando em todo lugar. Já não sei mais o que me supre, sumiram com a peça do quebra cabeça que continua a sequência de amores inacabados. Perderam-se! Comprovei no momento em que o simples  mas valoroso mimo presenteado, aquele que por meses estava guardada em apego, aparecera caindo numa poça de lama. Perdi a vontade de me melar para salvá-lo. Desejo experimentar novidades da mesma essência, com mais consistência e teor.

Nesses dias cheguei a entrar pelas portas do passado e, por pura fragilidade, vi que ainda não consigo deixar a luz da naturalidade acessa. E se estivesse acessa? Bem sei que prefiro ficar no escuro que me fazer cega em meio a holofotes descaradamente sofríveis. Há quem diga que passado gostoso que se preze tem que machucar pra ser lembrança, eu desprezo! Cresci aqui, mas parece que deram corda para a boneca agora. Desejo rodopiar em um eterno verão coberto de inverno, caminhar sem amarras e com dose de descobertas, aquietar sem o queimor angustiante no final da noite.


Acabei me presenteando com uma caixa de chocolate e deixando o sentimento de cada bombom de lado. Não me tornei amarga, só não quero ser doce a ponto de enjoar antes da última mordida. Antes do fim quero escolher parar para continuar em outra frequência. É preciso que haja sinceridade, mesmo que fiquemos perdidos em nossas confusões. É preciso que mais cedo que hoje você descubra o quanto eu posso tropeçar em verdades limpas que doerão menos. É, eu simplesmente crio barreiras quando a visita não é bem vinda. E não aprendi a fazer visitas ainda. Caso contrário as portas estarão destrancadas para quem sabe bater com jeito e limpar os pés deixando lá fora a sujeira. Não quero vão o trabalho de retirar o que o tempo deixou...

Sim,  viver em cores permite que não morra em tempestade. É promessa!


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