19.3.11

Meninice

"Pior que o melhor de dois, melhor que sofrer depois.
Se é isso que me tem ao certo a moça de sorriso aberto...
Ingênua de vestido assusta, afasta-me do ego imposto.
Ouvinte claro, brilho no rosto, abandonada por falta de gosto!
Agora sei não mais reclama, pois dores são incapazes
e pobres desses rapazes que tentam lhe fazer feliz.
Escolha feita, inconsciente, de coração não mais roubado.
Homem feliz, mulher carente!"
(Maria Gadú)

Sempre tive muitos amigos homens e acredito que além da maior possibilidade de confiança e instabilidade é um jeito divertido de tentar olhar o mundo com outros olhos. Foi pelo jeito simples, mais fácil, sem, no entanto, perder detalhes e curiosidade, que construímos horas de histórias banhadas à comédia.

Nas tentativas de aprender com o que ouvia, por vezes o universo feminino teria me expulsado do time por entregar o jogo. Doando e recebendo conselhos, ajudando e me metendo em armadas, vivi inesquecíveis situações nas quais me perdi até que equilibrasse minha ingenuidade com malícia, para sobreviver na selva que é o mundo.

Meio que buscando descobrir qual a versão de mim que queria negociar com o universo que eu teimei e arrisquei. Nunca duvidei do meu gênero - o universo masculino apenas me atrai mais que o comum -, mas sempre tive certeza da estranheza que carregava na contrariedade do padrão.

Desde criança nunca me identifiquei com as mocinhas. Meu pai dizia que mais valia minha mãe me deixar de calcinha que me vestir de saia, até que aprendi a me portar com os gritos do meu irmão para que eu fechasse as pernas em cada pequeno lapso de displicência. Cresci e vi que a feminilidade da moda não arrancaria minha essência, mesmo que me deixasse menos à vontade. De salto, cabelo escovado, vestidinho e blush (embora muito adepta do jeans) ainda seria a mesma guria, pivetinha, rebelde sem jeito ou imitação da Avril Lavigne que todos acusavam esperando mais meninice.

Talvez minha consciência feminina tenha lançado moda: patricinha às avessas. Mas na verdade as menininhas me pareciam todas muito babacas. Sempre perderiam o melhor de todas as ocasiões. Parecia-me surreal não aproveitar a simplicidade de sentar no chão e se melar de terra, a abrangência e liberdades de temas em bate-papos, a euforia que causa uma queda de bicicleta, um murro de "lutinha" e uma partida de Mario no nitendo, as horas no time de basquete misto e as convocações pra todos os times em que faltavam componentes nos jogos externos do colégio.

Pra mim, não tinha magia ser aquela mocinha. Eu sempre "me achei" mulher suficiente para encarar as alegrias de verdade, e não seria minhas diferenças em limitações físicas que fariam de mim aquele ser que sofre iludida por querer, devido àquele ser que aprontava, aprontava, depois inventava um arrependimentozinho e tudo bem. Não, eles seriam aceitos para a missão, deste que soubesse cumprir fielmente sua função, sem engano!

Nunca parti pro ataque, ainda luto para entender as mulheres que entendem o ataque sedutor como determinação igualitária, mas certamente sempre me interessei mais pelas vilãs em pele de cordeiro. Não aquelas sonsas e que não tinham escrúpulos, mas aquelas que tinham princípios e impunham suas atitudes sendo respeitadas por isso! Em papeis de Angelina Jolie no cinema, babava na liberdade daquela redoma de "oh, como eu sou sensível e dependente" e a posse de algum papel tradicionalmente masculino: eu posso me defender e é continuando que eu aprendo e crio antídoto para não me machucar.

Por que esse blá, blá, blá? Sinceramente nem sei. Mas hoje parei para analisar o quanto o ver um mundo por outro ângulo me deixou mais descrente, mais desconfiada e mesmo assim mais cúmplice e defensora de causas per...GANHAS, viu meninos!? Isso não me fez parar de sofrer por dramas femininos, mas ao menos entender que o são e minimizá-los. Parei para pensar em quanto sou feliz e não me arrependo de guerrear entre aquelas que acreditam em verdadeira amizade entre sexos opostos e nos sentimentos masculinos, mesmo que menos dramáticos, exibidos e complicados milimetricamente.

 Agradeço as amigas, meninas/molecas que me compreenderam e aos meus pais, irmão, primos que nunca me obrigaram a sair da "rodinha" de conversa masculina pra ajudar na cozinha. Não tenho palavras pra agradecer aos bons, velhos e novos HOMENS DA MINHA VIDA pelos quais ou mato, ligo, ciúmo e morro!

Enfim, hoje eu sinto uma vitória por não ter o perfil estereotipado que já temi tantas vezes. Em mim e nos outros. Que Deus nos ajude a apagar o lado superficial e leviano de ser, especialmente com os sentimentos das pessoas uma vez que nunca esperamos em retorno. Que se houverem sentimentos que sejam verdadeiros e se não houver, que sejam expressos explicitamente mesmo, sem engano! Porque ninguém pode fazer o que quiser impunemente... Não quando se é regido pelo tempo, não quando se trata de amor. Não, quando se ama.


Sou amante da Linda Rosa da Maria Gadú e nós mulheres, não perderemos pra CRAVOS, ganharemos os CAROS! :B

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