15.6.11

Desvio de olhar



Uma vez me perguntaram minha preferência, se uma pessoa banguela ou uma pessoa vesga. Nenhum preconceito, questão de gosto, ou seja, não se discute, no máximo se lamenta... e meio que querendo responder nenhum dos dois, respondi que prefiro a pessoa banguela, que pode ser facilmente uma criança, e pra que percebamos que ela é banguela é bem provável que ela esteja trazendo a paz de um sorriso.

Humm... sabe aquele orgulhinho que as vezes você sente de você? aquela resposta me fez formular uma parabenização interna do tipo: "ahh garota, se saiu bem!". Mas logo depois, parei para analisar porque logo de mim, que sou amante dos olhos, veio tão instantânea aquela explicação, nunca antes pensada, sobre a preferência por um sorriso que um desvio no olhar...

Não entendo como vesgo somente aquele que tem um problema físico nos olhos. Decidem ser vesgos aqueles que olham e fingem não ver, olhar e desviam o olhar para não se envolver, olham, desejam e não tem coragem de dizer, emprestam seus olhos pra horas de atividades que alienam, olham apenas para criticar e, até mesmo aqueles que teimam interpretar as coisas por um ângulo torto, muito além do que se vê. Ser vesgo vai além da incerteza de a quem ou ao quê o olhar está sendo direcionado!

Embora os olhos tenham um poder encantador, é com o fuminador que na maioria das vezes nos deparamos no nosso dia a dia. É depois da visão que podemos acionar os risos maléficos e os pensamentos insanos. Somos constantemente observador sem querer, analisados as vezes sem ter que ser, comparados por prazer ou até julgados sem merecer.

Necessitamos muito mais de um sorriso acolhedor e da simplicidade que ele trás, de uma gargalhada desavergonhada, motivada por bons momentos, pela alegria de pessoas reunidas como uma mesma raça. A visão de um sorriso, da verdade, nos faz bem e nunca promoverá nosso desvio de olhar. Eu não me sinto bem em admitir que por instrumento tão rico como os olhos podem sair, de forma sutil (ou nem), o que há de pior na natureza humana. Sem que precisem palavras, eles podem ser transformados em armas poderosas de traição e sedução por brincadeira. Focalizemos nossos olhos!

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