27.7.11

Perdendo...




Fotografias, cartas, caixa preta, nada disso trás de volta, pra perto. Nada pior que a impotência de alcançar, acompanhar... a distância de quilômetros, fases ou dimensões. Certamente não sou a primeira a pensar dessa forma, lembro-me de uma passagem em que Ken F. também duvidava do significado de saudade que andam espalhando por aí... não que seja o pior, mas o mandar flores no aniversário, o scrapizinho dizendo "sumiu", o consertar burrices feitas,  não demonstram tanta saudade quanto aquele momento em que involuntariamente alguém toma teus pensamentos, em detalhes expectantes como o ranger de um abrir de porta.

Reconstruindo meu passado quanta saudade consegui acumular... mais que nostalgia! Revivi dores como um momento inesperado que só foi capaz de me arracar da boca um "perde-se alguém com tanta vida pela frente...". Ainda menos brusco e que recebia de mim apego similar foram animaisinhos, casas, colegas, amigos de longas datas... sem que deixassem de ser. Lá se foram carinhos distantes, preocupações discretas, exemplos firmes. A sensação de perda é inevitável, simples como aquele doce que você fez, incrível, mas que acabou e nunca mais igual... Como um passa-tempo que perdeu a graça e no fundo, sentimos que devíamos ter aproveitado mais, brincado mais, aprendido mais, sentido mais, mas que nunca deixou de ser especial nem menos valioso.

As perdas não anunciam quando irão chegar, são potencializadas na maioria das vezes de forma desagradável no final, e são a maior certeza da vida. Quantos fins se criaram! Aí percebi o quanto já me perderam e quantos fins eu criei. Lí que muitas pessoas acabam escorrendo, e mesmo que promessas sejam ditas com tanta paixão, elas podem ser diluídas e quebradas sem mesmo nos darmos conta. Ahhh os amores eternos... e se não encontrar um encaixe? e se ele for um cachorro ou um gato vira-lata?! Lembro de perder tanto carinho pela sensação de sufoco, pelo medo de me sentir sobrecarregada de amor, avassalador! Talvez criamos em nós o apreço pelo sofrimento e, nos olhamos no espelho em um sábado pela manhã não querendo acreditar em sadomasoquista sentimental. É necessário não ter certeza de nada, ter frio na barriga e amar o desafio da conquista. Em certezas surpreendentes não há concordância!

Em clima de perda pop - Amy Winehouse : "Tears Dry On Their Own".
Luto - Felippe Leite



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