18.9.11

Despedida.

Ela tocou o coração, perceptivelmente se espremia com vontade de acalentá-lo com toque. Já não ligava se havia platéia, se ainda estavam lá. Pela primeira vez se permitiu ser egoísta com ele, não importa quantos estavam ali pelo mesmo motivo, agora ela não ia dividi-lo com amigos, nem mesmo família. Seus olhos e sentidos eram dele. Dor, cada segundo que passava lhe lembrava que era chagada a hora, ele iria mesmo embora!

Embora não tivessem mais vínculo ou compromisso, havia nela o sentimento, era concretíssimo. Vontade de agarrá-lo, com uma força capaz de tirar dele a idéia de partir, algo suficiente para prendê-lo ali. Talvez sua maior vontade era que a força motivadora fosse simplesmente ela, mas o importante era tê-lo junto a si.

Quebrou o clima, tentativa de resistência das lágrimas que fariam o favor de denunciá-la ao cair, sim, porque se por orgulho ou medo não tinha escancarado seus sentimentos até ali, ele levaria consigo uma certeza, a que insistia em não admitir.

Ela olhou para seu braço, uma pulseirinha. Remeteu-se a uma conversa vivida a dois, uma das tantas que aprisionava em si com carinho excepcional. Ele se interessava por aqueles "fios de telefone", e ela pôde sentir a sensação de tê-lo brincando com seu braço como na primeira vez. Sentia nítido o toque na pulseirinha que alcançava sua alma com ardor. Não pensou duas vezes - fique com ela! - Colocou em seu pulso. - Lembre-se de mim...

Pulso, perto das mãos, um lugar onde permaneceu por tanto tempo... Mas ela não se contentou, seria uma lembrança insuficiente se medida em sua capacidade. Ela que sempre temeu se envolver e sofrer, não tinha forças e suplicava agora apenas por todo amor que ele pudesse ter. Que o céu pudesse se mover e fluir nele um terço do que ela sentia no momento!

Ela tocou o coração, fechou a mão em punho novamente e pediu-lhe que ele estendesse a sua. Na mão dele ela abriu a dela e por segundos queimaram, - está em suas mãos uma coisa essencial para minha sobrevivência, cuide como a si mesmo. Qualquer pergunta que ele fizesse não teria resposta, e ele entendeu fácil.

Ela sabia do que tinha feito. Sabia o perigo que corria se ele não devolvesse, se ele quebrasse, se esquecesse em algum lugar... Risco aceito, era dele de qualquer forma! Qualquer que fosse a forma ela sofria...

Abraçaram-se e a energia que faiscou daria força para seguir alguns dias e lembranças para toda um vida, vida que não seria plena e digna se Deus não permitisse um reencontro. - Eu só quero que você seja muito feliz.
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