18.12.11

Curvando


I learned the hard way
That they all say things you want to hear,
And my heavy heart sinks deep down under you...
And your twisted words, your help just hurts.
You are not what I thought you were...
Hello to high and dry!
(Sara Bareilles)




Você está muito acostumado com isso. Eu não! É como se perdendo num jogo de dados eu tivesse sido lançada num túnel do tempo e nasci justo na época para qual não tenho instinto nem estômago. Talvez você esteja acostumado demais pra perceber que o que já é teu vício maquiando me magoou, ou ao menos entender que meu silêncio e desvios, são modos forçados e pouco prazerosos de ser discreta na discussão do meu amor.

É, e pra que confronto? Para entrar na lista de psicopatas desvalorizadas?! O valor eu não alego, mas psicopatia só me caberia em você.  Você me convenceu a te agradar e me fez pensar que eu precisava disso também, mas enquanto queria que você conhecesse minha essência, percebi alterações na maneira inconstante de me tratar e insisto em acreditar que não se trata de descaso, desrespeito ou desleixe; pode ser você, um você que de alguma forma se acostumou comigo. É, o costume tem essa infeliz mania de deixar cair maus tratos... mas talvez não, talvez seja uma negação, um desejo de não apego ou uma prevenção que supostamente causaria meu desapego.

 Agora quero que o relógio diga "é tarde" enquanto ainda vejo o sol caindo lentamente do meio do meu céu. Não! Acima de tudo eu tenho que tomar uma decisão e essa tem que ser a meu favor, porque realmente não existe, e embora eu teime com a possibilidade, é pouca a probabilidade que exista um "nós". Não! Eu tenho que negar meu desejo e minha falta de dignidade orgulhosa. Tenho que guardar sentimento, carinho e sorriso para quem compreenda que eles são unidimensionais, merecedores de reciprocidade, no mínimo.

Se percebesse esforço e sinceridade ao engatar qualquer marcha que não fosse ré... É,  mas não te culpo. Eu sei que desejei tanto ou mais que você, certamente planejei, sonhei, esperei muito mais e não se trata de uso, abuso, desuso! É ciúme que não admito, é colocação que não me encaixo, é indiferença que não mereço, é safadeza que não aprecio e minha insistência em acreditar e por querer, acreditar de novo.

Espero que tenha ao menos aprendido comigo que o sentimento que não externei era mais importante que o declarado: no calar não se brinca com verdades, se constrói! Você já devia saber que a brincadeira perde a graça quando passa a faixa. Se não for comigo, ao menos será mais bonito estacionar em alguém. O fato é que a linha entre desejo e sentimento é bem tênue, e eu que nunca tive equilíbrio perfeito faço a curva por aqui, contornando o encontro com um abismo antes que chegue o fim da estrada...

ps.: vamos chegar a algum lugar de qualquer jeito.

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