28.12.11

Ser feliz dá medo?

É tão complicado conseguir momentos em que se reúne maior parte da família. Minha família é grande e tem gente espalhada, gerações... sempre acho tão engraçado as situações família na família, sabe?! Aquela tia que você não vê faz tempo, teus primos crescendo loucamente... você abraça todos, desconhecidos tão próximos... porque sente um elo, é família! O tempo passou, não foi só você que envelheceu ali, mas as recordações são de ontem, sabe?! O mesmo pátio, muitos permanecem, alguns faltam, outros novos, velhas brincadeiras, novas canções...

Lembrança e fotos de outras vezes trazem saudade... e dá uma emoção ver meus tios com os cabelos grisalhos, minha mãe loirinha bem ao lado do meu pai, os cabelos branquinhos de meu vô, escorridos como sempre... todos misturados em volta daquela mesa dando gargalhadas tão familiares. E eu sei que tem uma emoção bem disfarçada quando conseguem estar juntos! Por um instante olhei ao redor... Meu tio contando suas piadas que não troco por ninguém. Todo mundo posando alto pra fotos. Minha prima já tem marido e ganhará um filho cujo nome vira pauta, meu irmão conversa com meu primo... tive certeza que esse é um dos momentos que lembrarei com peito apertado de saudade!

E paro agora querendo rir, me perguntando o quão bobo é expor isso... mas é que a felicidade era tão grande, muito feliz, que feliz! Cheguei a ficar triste... insano: é como se aquele momento extraordinário assustasse. Porque naquele momento sumiram os problemas e existia somente a paz, amor, harmonia apesar das diferenças e toda aquela sensação boa desaparece quando no dia seguinte a vida volta com todos os arrependimentos, cobranças, dúvidas...

Eu sei que a gente nunca deve ter medo de ser feliz. Mesmo que daqui a pouquinho possa estar triste. A gente tem que aproveitar porque Clarice (Lispector viu?!) já dizia que a vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. E Deus diz que basta cada dia o seu mal. Particularmente não sei de nenhum pardal sequer que deixou de ser alimentado e a gente não deve perder tempo pensando em coisas bobas assim, implicando com defeitos, com inseguranças...

E meio que não tinha noção do quanto eu temo ser genuinamente feliz. Sei lá, isso parece tão momentâneo e lúdico que tenho medo de acreditar e me frustrar. Mesmo sabendo que as perdas acontecem e machucam mesmo assim. Que as horas passam e nos afastam independente de qualquer coisas... sei lá, não entendo! E eu quero aproveitar, viver esses momentos de aconchego, de amor, de afeto, de estar perto de quem a gente gosta, mesmo que a gente sempre tenha a certeza que nunca será pra sempre e que doerá quando elas tiverem ido embora...



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