15.2.12

Carnaval: máscaras, banheiros e amores.

"Quanta gente se beija nesses verões emocionais,
nesse vulção de desejos,
nessas tormentas tropicais?!"
(Leoni)





Véspera de carnaval e eu querendo falar em banheiro. Não é mais uma campanha em prol da utilização educada daqueles banheirinhos públicos para não fazer pipi na rua não, mas... me entendam: é no banheiro que as máscaras caem! Da nudez ao canto desafinado, das necessidades fisiológicas às lágrimas enraivadas, análises profunda das bobagens diárias e das lembranças mais surreais... é pro banheiro que a gente reserva as piores merdas e nele também que mandamos embora todas as impurezas numa sensação gostosa de limpeza, purificação da alma!

Acabei de tomar banho e ironicamente ao som de "Esse outro mundo", do Leoni, eu me proponho a escrever sobre carnaval. Vejam bem, não estou dizendo que carnaval me lembra só merda, nudez, máscaras e afins... mas desse mundo, que não é bem lá minha praia, consigo lembrar dos amores passageiros - alguém além de mim concorda na disparidade que é a expressão "amor passageiro"?! -, os amores desesperados, os amores desfeitos, os amores reencontrados, os amores esquecidos, os amores finados, os amores trágicos, artísticos, cênicos, os amores que não sobem serra nem prosseguem o ano. Como em qualquer outra época, ahh os amores!

E aí o encaixe perfeito de uma frasesinha engraçada encontrada por duas leitoras fofas e assíduas (M&M) que fizeram questão de compartilhar comigo: "Acho aqueles coraçõezinhos desenhados no papel higiênico uma mensagem subliminar: Em algum momento o amor vai dar merda."

Complexa, não é mesmo? Porque em um momento tão intimo e singular, como no banheiro, a gente consegue entender que conseguimos fazer o amor, logo o amor, virar merda? Será porque a gente está acostumado a colocar máscara de amante nas nossas ilusões e sair por aí euforicamente desfilando na avenida, achando que o passante do lado (e ao mesmo tempo tão distante) está no mesmo ritmo descompassado do tambor interno,  e nos enchemos de certeza, ficcionada no desejo e calor do momento, para nos jogarmos?! O triste é ver que no final, as cinzas ficam por dentro para lembrar que a sujeira não é do amor, é da nossa sede de amar... papel não passa a limpo?! ducha fria!

PS.: Levanta, sacode, balança, não pode parar: Carnaval - a festa do carnal - tem todo ano, mas nossos momentos amáveis e restauradores no banheiro: todo dia!

"Liberte sua mente do que a mentira contou." (Cláudia Leitte)


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