11.4.12

Extremamente único.


Temos mania de ser extremos. Ou amamos demais ou odiamos com força, ou queremos demais ou ignoramos de vez, ou nos divertimos demais ou alcançamos o grau de fadiga, ou não arrumamos a casa ou fazemos uma faxina de anos, ou estudamos demais ou nem de véspera, ou dormimos demais ou estamos em temporadas frenééééticas, até na adoração conseguimos ser extremistas ou displicentemente relaxados.

A gente não quer comprar um fusca, quer logo BMW. A gente não quer escalar o morro, quer pular do Everest. A gente não quer só alguém que dê atenção, a gente quer logo levar pro altar. A gente não quer começar como estagiário, a gente quer ser recompensado por pensamentos extras. A gente não quer aprender a surfar na areia, a gente quer quebrar a cara na onda. E já dizia a musiquinha lá: "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, arte" e ter tudo logo, por toda parte.

A gente tá acostumado a querer pra ontem, fazer logo, conseguir custe o que custar, a querer pra gente. A gente tem olhando tanto pra frente que tropeçamos em nossos próprios pés por causa dos passos largos demais para nossas pernas, que deslizam no compasso do piso singelo, liso e reto. A gente quer tão nosso que esquece que compartilhado é mais fácil, mais rápido, mais gostoso, mais próspero, mais longínquo. E a gente continua, ainda bem e ao mesmo tempo, como? 

Seria tão bom ter equilíbrio e domínio próprio todos os dias, gozar da longevidade ao menos uma vez por semana. Seria tão bom não pesar a consciência pós caixa de chocolate devorada inteirinha após 2 meses regrados de dieta. Seria ótimo não falar de vez todas as verdades entaladas. E não falar toda vez. Seria maravilhoso dizer que consegue perdoar e consegui confiar pra dar uma segunda chance. Seria tão bom não ser taxativo em um término a ponto de fazer penar quem estava acostumado a te ter constantemente em sua vida...

Seria! Mas a gente só pensa depois que já fez ou não... E é sempre depois que fez demais ou de menos. Depois que aos poucos não resolve mais e precisamos de atitudes drásticas. Depois de doações cegas, expectativas loucas, muito impulso e consciência nenhuma. A gente quer tanto pra ontem que só consegue depois.

E sem equilíbrio, sem dosagem, sem domínio a gente vê dificuldade até em viver... sabe porque? Estamos acostumados a querer e fazer o que der na telha - e daí se cair o teto?! Se cair o teto, reconstruímos tudo de novo, não é verdade? Não é bem assim. Até porque a gente nunca pensa que o teto pode cair em nossas cabeças, a gente quer é que caia. A gente perde um tempo precioso refazendo, repensando, reorganizando, reconstruindo o bagaço que nos deixamos formar. Um momento pode destruir um tanto, que levamos quem sabe a vida inteira pra conseguir...

Quando já não tem graça vem arrependimento, vem uma lista de reclamações com os amigos, com vizinhos, com Deus e quem aparecer na frente... da coluna, do desamor, do acúmulo de afazeres, da falta de tempo. E quem tem nada a ver com isso? Todo mundo é extremo: Cada um por si e Deus por todos. Isso é, pr'aqueles que ainda acreditam que há um Deus no céu e não em seus umbigos...

Que hoje, amanhã e a cada dia que acordar a gente perceba que não andamos a diante com dois pés, é um atrás do outro. Que a gente aprenda que precaução não é retardamento. Que a gente aprenda! Que a gente aprenda que juntando o pouco se consegue muito. Que a gente aprenda que voltando um pouco, se lembra o quê. Que a gente aprenda que ouvindo um pouco, pode entender tudo. Que a gente aprenda que não viver o hoje, não significa que estamos construindo o amanhã. Que a gente viva cada dia, como se fosse único!



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