18.4.12

Medo de romantismo

"Romântico é uma espécie em extinção."
(Vander Lee)



A gente tem medinho de ser besta, né?!  Uai, ser piegas, parecer vulnerável, se dar de bandeija, azedar de tão doce, se adaptar a um novo dialeto meio demente pra ser entendido a dois ... parece tão ruim assim? A gente é capaz de esconder ondas de criatividade que vem por inspiração, sufoca sentimento nem que seja com o travesseiro... eu sinceramente não compreendo o que é pior!

E eu sentindo falta dos românticos, sabe?! Já passou por isso? Saudade de uma época que não viveu?! Isso deve ser alguma doença crônica e eu vivo em coma. Tenho saudade daqueles que coloriam o mundo carregando na testa o que preenchia o coração. Eles tiravam sentimentos de pedra e derretiam água em estado líquido... Ahh, os românticos!

Os românticos nos deram lugar. Essa raçazinha pós-moderna que não sabe nem o que é isso e o que isso faz. Veja bem, uma mistura de tudo, certeza nenhuma, processos e conhecimentos de causa. É, somos nós, pós-modernos que dos românticos não trouxemos a coragem, nem a audácia, nem nada além de alguns projetos e vestígios, talvez lúdicos, talvez não passem de palavras, talvez programados...

E no romance o que fazemos? o quê?! Temos medo. Medinho de amar mais que ser amado. O que é desilusão senão a consequência da expectativa que acumulamos para nos iludir?! De sofrer pela falta de reciprocidade, teimando em esquecer que viver é um risco e ser feliz o mais caro de todos, e a gente sofre de qualquer jeito, pela falta de coragem, por sufocar desejo, vontades, e pelo cemitério de questões vivas que enterramos em nosso peito.

Ah, que vontade eu sinto de enviar as cartinhas que escrevo à mão, de fazer serenata declamando meus versinhos em voz e violão, de demonstrar amor sem data marcada, aparecer de surpresa apenas para compartilhar uma refeição.  Saudade da época que meninos aprendiam a ser cavalheiro e as meninas damas.  Ah que saudade da coragem de encarar viver um sonho, sonhar em claro, enxergar brilho no escuro e abrigar em meu estômago festa dançante de insetos. Me entregar sem reservas, ver gente curtindo e compartilhando a vibe, e não ter um pingo de vergonha, não! Nem juízo.


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