5.5.12

Prazer em não saber.


 
Tem dias que eu me pergunto se é isso mesmo que eu quero pra toda minha vida. Porque tem dia que estou exausta de escrever. Minha cabeça dói só de pensar em ler. Não quero ouvir a voizinha de algum jornalista ou qualquer coisa do tipo na televisão. Não ligo rádio pra escultar notícias, e sou alérgica às páginas de jornal. Pego revista e fico olhando fotos! Aquela nota na facul não me convence de mim mesma. Meu mundo é tão pequeno, minha realidade escassa, minhas teorias falham...


A área é minha? Eu que sou anti-social e nem gosto tanto de frequentar eventos. Ahh, eu também nunca tive talento pra auto-falente, fofoqueira e afins. Não sou de correr atrás, de ser invasiva, quero que as pessoas se sintam à vontade pra me contar qualquer coisa, e diferencio meus momentos pessoais e profissionais. Não quero parecer jornalistazinha tacanha que só fala de coisas fáceis! Odeio minha voz em microfone, e odeio determinantemente falar em público - travo. Adoro flashs, mas são poucos os que ficam bons quando estou atrás da câmera, e repudio as lembranças do que poderia ter falado - e não falei - para argumentar naquela conversinha boba! Sou desatualizada sobre tanta coisa e de quebra, não sei expressar nem metade do que sinto e penso. Em seguida, repenso, dispenso...

 E aí eu durmo e acordo no meio da noite com a mente turbilhando de ideias pra escrever, de lembranças pra agregar em um pensamento que dá uma página... e aí eu procuro coisas pra ler e parece que está lincada a milhares de outras interessantes, ao menos para passar os olhos e desejar tempo de lê-las, todas. E aí eu passo pela sala e já começo a prestar atenção em qualquer trechinho do jornal que estão assistindo, e a capa de uma revista que não tinha visto ainda me chama atenção no meu caminho até o destino. E eu não me controlo no meio daquela mesa redonda e expresso minha opinião, e rebato a professora expondo timidamente minha causa - alguns concordam?! E aí me pego criando legenda pra fotografias alheias e a minha que foi escolhida pr'aquela reportagem, e ajudando minha colega com problemas em edição.

E aí eu me imagino falando com artistas admiráveis e outros nem tanto - sorrio. Já me dei inclusive um programa pra apresentar - tá: estou ocupando o lugar de alguém. ¬¬' Minha imaginação já está nos bastidores de uma grande emissora ou de um rádio. Já quero mandar a costureira fazer aquele blaizersinho que desenhei. O site e aquela revista que montei o design podem esperar. Estou doida pela prática! E sendo assessora de impresa de alguém? de uma empresa? Afirmo que farei pós em marketing para aterrisar do vôo mental à caminho de casa. Vou fazer intercâmbio e fluir novas línguas. Vou voltar a realidade local: de férias e procurando alguma coisa legal pra ler, pegando um pedacinho de guardanapo para rabiscar uma ideia instantânea.

E eu chego em casa cansada e começo a ler meus textos antigo, e vejo que realmente eu precisava falar, precisava desabafar, aquilo realmente precisava ser criado, imaginado...foi eu quem escreveu? aquilo que alcança tanta gente que pensa da mesma forma... E aquele rascunho? Ahh, ele é lindo, mas ele continua sendo meu, só quero pra mim, muito intimo, e não vou fazer dele igual aquele outro que postei e o povo gostou, ouvi comentários legais, mais sei lá... eu não gostei!

E aí eu me apaixono pelo mundo de opções e talvez por não ter nem ideia de qual será a minha. Eu tenho a certeza de que nunca vou saber se é isso que eu quero pra toda minha vida, tendo a certeza de que é o que faz parte da minha vida.

E eu quero fazer isso hoje, quero me dedicar a isso hoje, quero sentir o poder de ser comunicadora e selecionar assuntos, quero insistir em sentimentalismo do cotidiano e variabilidade das cabecinhas humanas, quando os furos de reportagem apontam violência e problemas. Quero invadir a área da psicologia e discutir qualquer uma que me der na telha. Quero escrever periodicamente sem ter pauta periódica. Quero ser o melhor, correndo o risco de ser boazinha. Porque tem tanta gente boa de verdade no mercado de trabalho né?! Tanta gente com talento nato, com experiência maior e com oportunidades infindas... e tem tanta coisa pra pensar, que eu quero mesmo é ter o prazer de viver o que eu faço, de ser feliz com a parte que me cabe a cada dia de uma vez. E eu quero ter a coragem de descobrir outra coisa que eu goste e que me faça feliz em outro momento, e ter coragem de recomeçar, e me dedicar... e correr atrás de mim, dos meus potenciais, das minhas vontades.

E mesmo em meio a questões, dúvidas, inseguranças... eu saiba que o importante é viver, sonhar, planejar, pôr em prática e se surpreender com o tanto que a gente é capaz. E dúvidas haverão sempre. Sabe quais são as respostas certas que a gente espera? São as escolhas e consequências. É o saber que as vezes a gente erra e em outras vezes a gente acerta, mas tem que escolher um caminho pra seguir. E nem meus pais, nem meu melhor amigo, nem minha psicóloga, meu amigo imaginário, meu cachorro ou meu universo paralelo poderão fazer isso por mim... eu terei que escolher, ser racional e seguir meu coração com toda a razão. A razão existe no que faz bem, nos sentimentos, nas incertezas, no poder de não prever o amanhã. Quero assumir o que eu quero mesmo que esteja ligado a futilidades, a um ser capitalista e mercenário...e se não for o caso, quero acreditar que vale a pena trabalhar por amor, sabe?! Será um motivo para seguir atrás do que me faz bem de alguma forma.

E sabe o que me faz bem? todo mundo tem esses transes também!

5 Comentários:

  1. Texto lindo, Laís!!

    Acho muito bom que você tenha essas indecisões... Desconfie de quem tem muita certeza!

    Acho que o legal é ir sempre descobrindo e vivendo coisas novas e aí juntando com a conhecimento que você já tem do curso. Assim você monta seu currículo que pode ter o diploma de jornalismo, mas não ser apenas jornalismo...

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  2. Wille, são profissionais que vivem com prazer as escolham feitam que nos incentivam a seguir em frente viu?! Brigada pelo acompanhamento... :D

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  3. Filha, incertezas fazem parte da vida e principalmente, desse momento de escolhas que vc vive. Mas saiba que no vasto leque de possibilidades que a vida nos apresenta, não ter certeza absoluta, nos impulsiona a fazer várias escolhas e assim, ter sempre mais uma possibilidade de crescimento.
    A dúvida só é prejudicial se nos imobiliza. No teu tipo de dúvida se descobre a sabedoria que se esconde no aproveitar as muitas oportunidades.
    Deus te guie. Permita-me te parafrasear: "Que Ele seja o teu farol em qualquer barra!"

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  4. Não reduza seus sonhos para caber em sua realidade; expanda sua realidade para comportar cada um deles! Sucesso!

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  5. Esse momento não vai passar nunca não?kkkk. Amém e vamos nessa!

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