20.6.12

Perto e longe...

E com alguns machucados você
 tem que tirar o band-aid,
 deixá-los respirar e
 lhes dar tempo para sarar
.
(Grey's Anatomy)



Perder. Alguém aí vai dizer que gosta de perder? E quando se trata de alguém, alguém querido, valoroso, alguém que faz diferença na vida... aí a coisa fica séria!

É ainda mais difícil quando a perda está continuamente em nossa frente. Em termos médicos existe um trauma chamado Perda Ambígua que pode explicar um pouco dos sintomas do que vamos discutir hoje...

Quando testado em famílias, de uma perspectiva sociológica, no desaparecimento de entes queridos, os limites familiares são difíceis de manter, os papéis ficam confusos, tarefas permanecem negligenciadas, casais e famílias ficam imobilizados; Já de uma perspectiva psicológica, a percepção fica bloqueada pela ambigüidade e falta de informações; decisões têm que ser deixadas de lado;  processos de luto e de enfrentar os problemas ficam congelados. Quando o caso é de perda por separação involuntária , existem possibilidades de existirem diversos distúrbios da personalidade, como depressão, desapego emocional e ansiedade. Na série Pretty Little Liars, o médico Wren explica a Hannah como sendo "(...) uma morte, mas sem cadáver. Como quando um soldado some, ou um parente entra em demência. Eles se foram, mas ainda estão aqui."

De fato, é um verdadeiro processo de luto. Parece sério e é sério... pode estar relacionado tanto a uma pessoa amada quanto bens ou situações. Medicina a parte, me permito dizer que tudo que envolve sentimentos e é  guardado com carinho numa caixinha preta que a gente chama coração é de extrema importância e deve ser levado a sério.

Um amorzinho de 'fugitiva', teve o namoro rompido recentemente, e me deu essa idéia para escrever contando a seguinte história: "Eu ainda gosto muito dele, creio que eu o amo. Só que ele diz não ter certeza se o que ele sente é amor, que quando falava 'eu te amo', falava com a cabeça, mas não com o coração."

O rapazinho não saiu drasticamente da vida dela, e isso é louvável - não se acostuma com ausência sem quê nem pra quê. Não o parabenizo pela falta de dosagem da proximidade por não perceber que, no universo femino, tende a nula a possibilidades de manter uma relação só física sem que a qualquer momento o apego fale mais alto. Mas alguém vai discutir que ele foi sincero!? Não né?! Nem ela... que percebeu que não foi uma iniciativa pré-carnaval ou São João com perspectiva de um futuro após cafajestagem.

Nem todo amor é avassalador, tig tin tig tin tig tin - acreditem! Tem os que não conseguem alcançar porcentagens similares numa relação preferindo não magoar, frustrar, ganhar o tempo para analisar... e, tem os que dêem certo depois, com mais maturidade... mas meu intuito não é incentivar expectativa.

O ex em questão afirma sentir falta dos momentos vividos juntos, mas ainda assim não sente vontade de recomeçar. O fato é que o casalsinho não perdeu a amizade, nem o carinho, nem o desejo físico, não perdeu nem mesmo o contato diário e atormentante de dividir uma sala de aula, mas o ser casal se perdeu... e na perda ambígua dela, há saudade mesmo que no mesmo espaço, há distância mesmo que do ladinho... mas que haja anestesia, que haja o pensamento forte o suficiente para guardar na caixinha somente a lembrança dele como primeira pessoa que gostou de verdade, o primeiro amor, e entender que tem momentos em que precisamos encontrar a fonte de onde flui o amor próprio. (Se encontrar, mapeie a direção...)

Não sei quantos lembram, mas numa entrevista belíssima a respeito de outro tipo de dor, a dor de perder o filho, a Cissa Guimarães, deixou no Fantástico uma lição que vale para qualquer tipo de perda: "Você respeita sua própria dor, você aceita: é minha, vai embora comigo quando eu fizer minha passagem, e eu tenho o espaço dela, eu cuido dela, eu respeito ela, eu aceito ela e eu acho que assim eu abro um espaço pra que a minha alegria possa conviver com ela..."

A morte do amor - Considero uma das mortes mais tristes. Principalmente quando se tem que matar um sentimento tão bonito dentro do peito. Mas que, ao ter que assassinar um amor, haja respeito ao luto e que, de bem pertinho ou de longe, nossa luta seja para dar a quem nos deu motivo para desistir, todos os motivos para se arrepender. E jaz!

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