5.8.12

Retrospectiva no futuro

 Eu não quero te olhar no futuro e perceber que apesar de não ter permanecido em minha vida, está intacto no coração. Sabe, o tempo não volta, mas a vontade de voltar no tempo volta e meia passa por aqui...

Não quero chorar encima da coragem para conversas que não tive. Não quero chorar encima das fotos, dos fatos, do que fomos e do não conseguimos ser. Da renúcia, da perda, desvalorizações e erros. Pela guerra contida e situações não comemoradas. Pelo amor, pelo respeito, pelo carinho ou pela falta de todos eles. Pelos sonhos e pela culpa, por tudo que não volta.

Não quero de fato as dores que nos ensaios pareciam menos sofridas, menos incomoda, mas certamente, melhores que acreditar no impossível e ver o impossível desfilar realizado com outro alguém.

Não quero pensar que a ornamentação da sala pudesse ser outra, assim como as fotos nos porta-retratos e os livros que estariam na estante. Não quero passar a vida deixando alguém na estante porque nunca designarei como apto a habitar o criado mudo, sempre ocupado pelo imaginário de você.


Não quero pensar que o lado direito até da cama seria meu, e o seu seria o esquerdo, até nas viagens que fiz e desejei que fosse você quem estivesse ao meu lado quando repousava em uma outra cama. Não quero imaginar como seria nossa casa lá na rua tal da cidade tal no país que não abririamos mão.

Não quero reconhecer que os meus assuntos de interesse pudessem ser outros e talvez me interessassem muito mais, só pelo fato de te satisfazer.


Eu não quero imaginações da minha ansia por nossa casa ocupada novamente por nós dois como nos dias em que poderíamos ter escolhido, sem dor de consciência, comer chocolates em pleno café da manhã. Novamente sós, depois que nosso único menino, que você queria chamar de Jr mas não foi esse o nome que demos, criou asas e partiu, homem respeitável, doce lembrança do menino que chorou descontroladamente quando o cachorro que compramos para ser seu companheiro morreu...



Não quero sentir que vivi toda a vida sabendo que poderia ter lutado mais, mas preferi acreditar que não adianta lutar por quem não gosta de mim o suficiente ou não compartilha o mesmo sentimento.

Eu não quero me despedir novamente de você, dessa vez sabendo que não vai ter volta ou chance, não vou te ver nem de longe, nem virtualmente... será meu enterro.

E mesmo assim, agora só escrevo. Talvez quando isso tiver sido realizado, eu, como a mais idiota das adivinhadoras, releia e enfim tenha começado a andar o caminho em busca da felicidade. Depois que você conseguiu ser feliz como eu sempre quis e perceba que me deixei para depois.



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