3.10.12

ELEIÇÕES.


 Não, não acredito que todos os políticos sejam iguais, acreditos que são poucos os candidatos que podem ser denominados assim. Acima da insistência rara em acreditar que ainda existem pessoas íntegras, acho que para estar apto em se envolver ativamente na política é necessário talento, faro administrativo e instinto de liderança, honestidade e principalmente senso de humanidade que admiramos em Gandhi, Che e Mandala.



Adiei ao máximo falar sobre o assunto até o ponto de aparentar alienada - talvez para desentalar logo tudo de vez nesse período mais próximo ao cume! Não evitei por falta de interesse na ciência, não, mas porque sou determinantemente anti-politicagem. Pra mim voto é poder, tem consequência, deve ser levado a sério, bem analisado, melhor ainda que seja segredado à urna. Mas eu cresci em um interior onde a política porca nos faz saber quem as pessoas são quando insanas gritando com bandeiras nas mãos, atrás de trios, sem amor de pai, mãe, amigo, reputação ou vergonha na cara, o voto vale blocos, cestas básicas, passa por discussões bitoladas e defesas cegas, apostas, chantagens, que juntando tudo se resume a interesses individuais, ignorância, privilégio para terços e esquecimento que pós outubro tudo voltará ao mesmo nada e só mudará a cara do representante porque ele refletirá o povo que o elegeu...

"Entre um governo que faz mal e o povo que consente, 
há uma cumplicidade vergonhosa." (Victor Hugo)

Não sou ingênua de acreditar que política não é interesse. Nos giros capitais, tudo é interesse! Mas o interesse de um político deve ser em prol comunitário. Da saúde pra todo mundo. Da educação pra todo mundo. Do lazer pra todo mundo. Da segurança pra todo mundo... Mas o mundo continua sendo dos "esperto", independente das propagandas que incentivam analisar o "passado" do candidato. Insisto: é muito deslavado para mim votar em alguém que não estaria alí se não fosse o salário mais a possibilidade além salário e, que se for para ajudar sem interesses outros, do bolso não sai 1 centavo.

Para mim, aquele bode espiatório de fichinha limpa que entra lá no cargo público para aumentar a conta bancária é tão ruim quanto aquele corrupto cara de pau que distribui dinheiro e finge que faz e finge que ajuda. Só muda a tática de aproveitamento, mas a inaptidão ao cargo é o mesmo! Para mim não existe menos ruim se os dois não estarão lá para cumprir a tarefa a qual foram confiados...Para mim não merece mérito aquele que não fez um passo além da obrigação e ainda assim foi melhor que os antecessores.

Enfim... Poucos aptos, não é verdade?! Mas como a esperança não deve morrer, ao pouquíssimos em que reconheço a aptidão, meu incentivo! Fico triste quando têm potencial mas estão tendendo à discrença e evasão. Discrente pelo meio. Discrente pelos eleitores de visão tacanha e a curto prazo. Discrentes pela massa burra e mais um vez burra. Sabe como é, a política que conheci nos livros talvez é tão distante da prática que me tornou lúdica...

"Quando os indivíduos são puros, as leis são desnecessárias;
Quando são corruptos, as leis são iníteis." (Benjamin Disraeli)


Mas falando em esperança, aê galerinha, falo galerinha, porque aqui me refiro especialmente a minha geração e aos que estão exercendo o direito cidadão pela primeira vez: se eu perguntar a vocês que levantam a bandeira e não escondem a favor de quem votam quais os benefícios políticos que seu candidato tem pretenção de fazer pela sua cidade, você sabe? É uma pergunta retórica, então ao menos seja sincero consigo. Prefiro fazer esta pergunta porque não tenho dúvidas que teriam argumentos contra o candidato adversário a fim de defender benefícios próprios ao invés de fins comunitário...

Talvez estejamos só refletindo muito do que vimos ao crescer, mas somos jovens, gente, somos uma geração forte, uma geração ativa, uma geração que não precisa repetir exatamente os erros dos pais. Se buscarmos conhecimento e mudança, se estudarmos para concurso ao invés de votar esperando um emprego municipal, a diferença de posicionamento eleitoral fluirá! Crescemos na geração que muitos chamam de acomodada quando, em contrapartida, foi um puta de um preguiçoso que construiu a roda e as máquinas tecnológicas em diante... Temos um poder intelectual extraordinário! Uma pessoa, um voto, uma indignação faz a diferença sim - de individualidades se faz um conjunto! Não compactuar com o erro, negar o voto, não votar por protesto é uma forma de fazer a própria parte contra o sistema e em prol do povo. "Política é coisa chata, de gente chata e que um dia teremos que fazer parte para garantir nossos direitos de cidadãos" - apaguem isso da memória porque é exatamente essa a idéia que os políticos desejam para manter a massa desinformada, conformada e altamente manipulável!

Mais um ano eleitoral e em vez de estar feliz pela possibilidade de "recomeço", estou triste, envergonhada e assim que passar um carro de som com aquelas propagandinhas toscas estarei irritada. Tudo aquilo que criticamos está de volta: todo aquele “enrolation”, “embrometion”, “enganetion”, aqueles horários que é de graça e ainda assim ninguém quer, comícios descreditados, aquela boquinha (de urna) que ninguém é capaz de calar... Imagino que revirando no túmulo estão aqueles que lutaram em prol do voto livre sem saber que espécie de candidatos e principalmente de eleitores teríamos hoje!

Uma nova geração, se consciente, pode amenizar a calamidade da situação até transformá-la de vez - nisso eu creio! - através do interesse pela ciência Política, pela noção das funções e obrigações de cada cargo para que sejam fiscalizadas, cobradas, a busca do histórico POLÍTICO dos candidatos, o estudo da história política do nosso país... porque se não conhecemos nossa história estamos condenados a repetí-la. E nunca, nunca se conformar com a política da boa vizinhança, do jeitinho brasileiro de alcançar no fácil, nas prioridades descabidas - a Copa passa, as contas ficam -, o pão e circo, livro para comida e prato para educação...

Pela diferença que um voto faz, amém.

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