2.1.13

Quem é essa menina?



O nome não era simbólico mas alguns até conseguiam fazer com que o apelido fosse maior. A maioria a conhecia apenas pela mania de rir, quando sem jeito, quase fora de hora, sempre entre amigos... era um sorriso bonito de se ver, cúmplice dos olhos diminuídos. Jeito moleca, magricela até composta e baixinha envocada, preferia que sentissem sua falta a que percebessem sua presença. Certamente não era a mais desejada do colégio, mas era requisitada entre os amigos, e interessante para quem se dava chance de ouvir suas palavras humoradas, lúdicas, literárias, hollywoodianas e até tentava entender sua mania pouco discreta de escrever a todo tempo. "São registros!" - dizia a todos que desconfiavam da possibilidade daquilo tudo ser relido alguma vez na vida. Tinha uma fofura gostosa como abraço, mãozinhas pequenas cor de chocolate. Quando não estava fora do ar, era feita de cores, e embora tivesse uma aura bem roxa, nunca soube escolher somente uma para pintar a própria vida.

Respirava teatro - aprendeu a exercer a memória - e tinha apego por música - constatemente atualiza a trilha sonora -, mas deixou que a preguiça tornasse somente audiência. Caseira, assumiu deixar as piscinas e quadras e resolveu que decidiria entre números e palavras. Arriscou errado, de segunda deu certo, o importante foi experimentar! Queria transmitir o amor e o bem ao mundo: amante do eu lírico, escrevia o que parecia ser uma peça encenada na imaginação, quem sabe virasse realidade...

Dia desses resolveu parar de romantizar as coisas para o mundo, chuviscou, depois reconheceu que aquela sensação não era suficiente para apagar ao menos os cheiros nostálgicos da infância. Decidiu jogar fora as fantasias que tinha, tão amadas durantes os poucos anos de vida, e que iria por nas costas as asas construídas das penas alheias para voar. Ainda que ciente da força de suas raízes, estava certa de que com as pequenas asas conseguiria alcançar o céu e destribuir sorrisos solitários por todos os lugares que desejasse amar... 

Ainda anda com vestidos rodados e batom clarinho, deixa o salto para ocasiões especiais, mas não perde a tradição rubro negra, e aquela de corar as bochechas de timidez nervosa. Vi que os enfeites que nos cabelos penduravam devem estar encaixotados, agora quando não está escorrido, está amarrado embaranhadamente. Quanto a decisão, ouvi dizer que amoleceu, apesar de sempre tentar. As fantasias ainda continuam embaixo da cama onde ela teima em se entortar e escrever textos de amor na maioria das noites. Até criou asas, mas não cansa de voltar ao ninho. E a descrença em um final de contos de fadas estão contidas naqueles rascunhos embolados e jogados na lixeirinha ao lado, que retrata "Veneza" - ela dizia que passaria a lua-de-mel lá!







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