6.1.13

Razões do amor



Shekspeare disse que o verdadeiro nome do amor é cativeiro. Para estar cativo, existe razões, e a Martha Medeiros disse que o amor não conhece as suas. Acho mesmo que ele sabe, mas quer que a gente entenda sem que precise contar.

O amor é mais que um sentimento. Não o considero um qualquer, mais um, comum. Ahhh, isso com certeza não... mas também não é perfeito: não sabe calcular, não é dos mais inteligentes e moderados, é teimoso como mula e se acha o dono da razão...

Eu sei que ainda existe gente fiel, batalhadora,  não-fumante. E essas pessoas podem ainda estarem solteiras, acredite! Mas não são as qualidades "angelicais" que convertem possibilidades em parceiros. A culpa é da empatia, uma espécie de ímã, lavagem cerebral, cupido "egoístico".

Ele te esquece, do tipo, Natal e aniversário, depois aparece como se nada tivesse acontecido a afirmando saudade. Ele não fala em futuro veja lá pensar. Ele foge da tua família como o cão da cruz. Se ele tiver vaidade não coincide com bom gosto. Ele briga para não largar o play e rí como uma criança assistindo desenho animado do pica-pau. Ele se acha mais do que é. Ele é mandão. Ele arrasta asas para novinhas. O futuro dele não é dos mais seguros. Nada a se comparar com um príncipe, nem gentlerman, nem intelectual -  Ainda assim, parece que tem visgo, aquela coisa nojenta que pode esticar o quão distante for, mas está ali, grudado em tua vida igual duas de 10, permeando pensamentos durante os dias, ofuscando os olhos quando se aproxima, te estremecendo toda quando encosta. Ele tem talento com nenhum instrumento e é melhor nem cantarolar. Não gosta de animais e faz péssimas rimas. Nem você, nem suas amigas... ninguém entende?! Magine eu.

Ela é a dona da verdade. Ela parece uma pedra de gelo enquanto você a elogia. Ela não disfarça quando você erra a lembrança e nem que não vai com a cara de sua mãe. Ela desconfia quando você se declara. Maior que o salto dela é o impinar do seu nariz. Ela revesa o transparente com o curto e parece que simpesmente para provocar. Ela não suporta tua playlist. Ela não tem saúde para aventuras na floresta cheia de mosquitos e bichos. Ela não entende de carros, futebol... Nem os odios conseguem se coincidir! Mas você olha pro sorriso dela e o derretemento se encontra aí. Você nunca sentiu vibração parecida e essa sensação te agrada e encoraja. Nunca uma marra te deixou tão cativo e olha que ela te peita de frente. Ah, nem tente dá uma de machão que sua sina tá traçada...

Não importa nem adianta. Nem inteligência ou gostar de ler. Nem idade nem classe social. Tem vezes que nem gênero! Nem o desorganizar do jornal nem a preferência contrariada pelos filmes de Woody Allen. Nem a dieta nem as péssimas manias. Educação? Estilo? Ser fã do Pablo do Arrocha? Detalhes e nada mais. Se tua beleza te colocasse lá no colo do amado valorizaria mais que o alcance de uma capa de revista! Independência, emprego fixo, saldo bancário... viagens, liberdade de ir e vir, vestir e falar... tics e fixuras, intimidades e segredos... nem aquele seu trufo onde você se supera tem valor sem compartilhar com O ser.

Você pode receber o mimo do resto do mundo todo, não resolve. Nem aquela de não prejudicar ou falar mal de ninguém, altruísmo lutará com possessão. A indisposição facilmente vira disposição porque até singelas descobertas tornam-se prazerosas. Nada! Nenhum currículo ou vida pregressa te libertarão de estar cativo(a). Tá no cheiro e na emoção. É a perturbação e a paz que trás. São implicância e coincidências! É a voz, o olhar, a vunerabilidade retirada e revestida de outra forma.

As razões do amor não se explicam mesmo, o importante é entender e reconhecer quem ama, do jeitinho que vier e não for.


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