6.2.13

Impossível, O.


Já 'participei' de uma capotada de carro com minha família e a sensação é de sermos frágeis palitinhos dentro de uma caixa de fórforo a deriva no destino. Caí de moto e fiz a maior e mais dolorida ferida da minha vida, uma dor enloquecedora embora tenha se restrigido a apenas um dos meus membros. Meu irmão, quando pequeno e curioso demais, desapareceu por alguns minutos dentro de um grande centro médico e o pavor do desaparecimento nos invadiu apesar da esperança de reencontrá-lo durar até o fato. - Todas essas situações relembradas acima foram encaradas como "ondas", davam a impressão de que não iria "segurar", como se fosse maior, fosse passar por cima, estivesse fora da lógica do proceder da vida.

É, todo mundo já passou por algum susto, problema, perrengue na vida. Seja por doer, por perder, mudanças, fins... afirmo impossível passar pela vida imune e acredito que essas sejam maneiras poderosas de nos fazer amadurecer. Ninguém merece, mas convenhamos, têm seu valor... 

 










Falo isso tudo após assistir O impossível, espécie de filme que evito falar porque se auto-promove sem requerer ajuda. O fato de ser baseado em fatos reais não nos possibilita achar que o sangue é ketchup, que o medo é encenação, que a devastação é efeito. A realidade vira um choque, é abrupta! Cai a ficha... -  o revirar de nossos estômagos revesa com o desestruturar das lágrimas. Cada cena, cada laço, a percepção da inocência infantil, os movimentos de câmera, tudo detalhadamente preparado por J. A. Bayona e o diretor de "O orfanato" para que não tivéssemos fuga. Difícil de acreditar que a Naomi Watts e o Ewan McGregor não são outros seres humanos depois de interpretar Maria e Henry.

Eu não tenho noção do que é estar em meio a um tsumami. As cicatrizes e traumas sobrevivem nos milagres restantes da cena anteriormente natural. Por mais que tenham sido forte e marcantes, as cenas exibidas na TV pode no máximo nos encher de compaixão, mas não sabemos o que foi estar presente no tsumami da Tailândia em 2004. Só nos cabe imaginar como frações de segundos podem virar muito tempo em vista da devastação que torna paraíso em profundeza. Nunca esperamos uma reviravolta literal na vida, nos corpos, uma destruição surpresa em meio a um passeio de férias como o retratado no filme, nunca!

Impossível numa situação assim é saber o que está acontecendo, pensar que vamos sobreviver, pensar que reencontraremos as pessoas que estavam com a gente... creio que fica um impace por dentro de qual dor, física ou emocional, deixar aflorar primeiro, talvez, simultaneamente, as duas calem, anestesiem!

A solidariedade. São gestos simples de altruísmo, de emprestar um telefone, de disponibilizar tempo em procurar, salvar, atender um pedido de socorro, fazer o melhor possível dentro das condições, coisas simples, que até uma criança pode fazer... ver coisas assim nos faz acreditar que ainda existem ensaios humanos na humanidade e relembra a sensação impar, prazerosa e gratuita que é fazer o bem, sem olhar a quem.

O valor das pessoas. Abrir os olhos e estar sozinho em casa é fácil, mas num lugar com pessoas desconhecidas quem nem ao menos compartilham o mesmo idioma?! Não há nada que torne a coragem em pó ou exalte tanto o medo quanto isso...a dor, o sofrimento, em meio a sensação de perda, de solidão, de falta de esperança. Eu supervalorizo minha família. Supervalorizo reencontrar pessoas queridas. Supervalorizo a certeza que dá força maquiada em esperança para vê-los outra vez.

Impossível não sentir. Impossível não renovar as prioridades. Impossível não valorizar os que estão por perto, a saúde e o que há de vir... Impossível não repensar quantos de nossos 'tsumamis' não são apenas vendavais!

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