13.3.13

Drogados, dorgaado, tanto faz!

 Li uma entrevista no IBahia, com o Tico Santa Cruz, líder do Detonautas, a respeito da falta de respeito à morte do amigo Chorão e achei excelente! A família e amigos foram surpreendidos com imagens explícitas do cantor encontrado morto em seu apartamento revirado, com um pó branco ainda não revelado pela polícia. Mas nisso tudo, o que interessa um ser humano morto, não é verdade? Para quê polícia quando dentre os civis temos os mais competentes juízes prontos a dar sentenças gratuitas?

Afora a morbidez, falta de compaixão, exposição desnecessária feita de dentro da imprensa e dos novos potenciais informantes com artifícios tecnológicos suficientes, a morte de Chorão fez surgir piadinha sobre novos fãs e ressurgir as cansadas, velhas, sensacionalistas críticas ao rock'n'roll regado a sexo e drogas. E o respeito gente, aquilo que independe de afinidades ou não?! Somos da mesma espécie humana e racional, ou nem?

Para mim, pouco importa e nunca é tarde para se identificar com um autor pelo que fala, canta, pelo que escreveu, construiu. Já conhecia o trabalho do Charlie Brown Jr e acho lícito os que passaram a gostar quando houve maior divulgação, repercussão. Muitos tiveram oportunidade de admirar trabalhos como o do Mamonas Assassinas ou The Beatles, Clarisse Lispector ou Saint-Exúpery, Tarsila do Amaral ou Da Vinci sem terem acompanhado a carreira em vida, mas porque ficaram na história, e graças a Deus, para isso existe história! Aliás, sou encantada de forma íntima com pessoas que nem sonho em conhecer, não pude declarar meu amor, mas não há limite de tempo ou proximidade para compartilhar ideologias. Meu medo é que não conheça em vida, outros com quem possa adquirir sintonias como com eles! Se o Chorão arrecadou novos fãs, se ficou bom ou mais reconhecido depois de morto (o que duvido bastante)... deixem viver!

Aí, como se fosse pouco, a morte do Chorão torna-se investimento de estratégias de marketing para divulgação de outros gêneros musicais. Gente, só eu que ouço no rock'n'roll uma porcentagem muito maior de discussão dos assuntos sérios?! Não é a causa. Pois bem, vejo que outros ritmos ocultam a droga ilegal, mas e quando estimulam a bebedeira e não há disfarce na perversão do sexo e incentivo a vulgaridades inclusive infantis?! Realmente, não vejo crise nos ritmos, nos metais, na forma de manifestação e sim nas letras cada dia mais degradadas! Quando vêm a tona assuntos assim, entendo como efeitos colaterais de uma sociedade desnorteada, com valores desviados, com olhos embaçados de mentes cerradas, preocupadas com superficialidades, desumanidades. Não precisa de substâncias químicas para ter o sistema corrompido dessa forma, ingerir loucuras por osmose... assim, passivamente "dorgados", se precisa de cuidado e tratamento tanto quanto os dependentes. 

 Bem vindo de volta "drogas". Assuntinho enjoado, que ninguém aguenta mais, mas que continua sugando boas mentes. "Gostaria de saber que moral que tem uma sociedade tabagista, alcoólatra, que consome remédios ( DROGAS ) de todos os tipos - para dormir, para emagrecer, anabolizantes, estimulantes vendidos em farmácias e mais um monte de porcarias legalizadas - para falar do que o cara fez ou deixou fazer. " - E com essa, quase levantei para aplaudir o Tico! Não é de hoje que as drogas fazem parte da sociedade sem que seja tratada com a devida responsabilidade, mas aos usuários destinam-se preconceitos cheios de estupidez, postura ignorante da falta de conhecimento que prejudica muito mais que salva. São escolhas sim, por vezes erradas, envoltas em circunstâncias pessoais com as quais ninguém se importa até ganhar abrangência social extrema. Se não houve pré-ocupação, porque haverá pós, e pelos motivos errados? Quem somos nós para julgar? Para desvalorizar uma parcela de acertos baseado no julgamento de suas condutas, na indiferença às dificuldades?!

Nosso problema é a falta de assistência a dependente químico, de respeito aos doentes, aos enlutados, de solidariedade, disponibilidade para alertar outros jovens que não tem noção das consequências do uso legal ou ilegal das substâncias químicas.  Nosso problema é criticar os novos fãs, o rock'n'roll quando o desfoque é nítido e em clima de festa, de dança, de vendas, vidas são ceifadas e expostas de qualquer forma!

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