24.3.13

Paixonite.



Era uma palestra entediante até sentar um casalsinho fofo na minha frente. Fofo do tipo inacreditável, não dava pra acreditar que aqueles dois rostinhos, que não alcançavam nem o grau de de novinhos por nem terem ainda espinhas na face, já estivessem assumindo um compromissozinho...eram realmente infantis, juvenis, vai! dos seus 11 ou 12, no máximo.

Ele chegou, meio tristonho, alcançou o suporte à frente, cruzou os braços, debruçou a cabeça. Pensei que tivesse recebido uma bronca dos pais, uma notícia ruim como a morte do animal de estimação, uma nota ruim na escola, uma decepção com os amiguinhos, coisa assim. Ela, como quem consolava, acarinhava os cabelos, em pausas, se aproximava e falava algo no ouvidinho dele. Uma gracinha...

Até então, achava graça daquele afeto cut, parecia um ensaio do que seriam mais à frente sabe?! Só que ainda eram a parte pura do amor... Mas aí, ele resolveu levantar, ele seguiu e falou em um som beeem audível, bem mesmo: fique assim não, ela não te merece!

Foi difícil controlar meu riso, sim, porque não me contive. Então não era com ela a relação?! rs... o que nessa idade é merecer? Talvez o foco daquele sofrimento não tem noção da fragilidade de ter nas mãos um coraçãozinho apaixonado que acha que ama pela primeira vez. Talvez ela não corresponde o olhar dele, rindo timidamente ao enrolando os cabelos quando ele passa com os coleguinhas, ou não compartilha com ele a merenda no intervalo das aulas. Talvez, mais precoces, ela não queira corresponder a tentativa dele de dar seu primeiro beijo que olhando de fora irá parecer uma guerra de pescoço, tentativa de engolimento alheio. Talvez ela não valoriza o chocolate que ele compra, tira a mão quando ele ensaia pegar, não dá importância ao trecho de música que ele envia, a declaraçãozinha que ele ensaiou horas para fazer... não sei especificamente o que foi que ela fez (ou não), mas pela fúria nas palavras daquela gatinha que consolava, a outra não estava apta para tê-lo.

Relembrando a cena agora lembrei de um ditado que diz que "quem não sabe cuidar não merece ter". O cuidado com que aquela gatinha que aconselhava, acarinhava, estava ali ao lado dele, demonstrava mais que amizade, sabe?! No mínimo, um interessezinho que o coraçãozinho apaixonado dele não permitia ver ou não queria aceitar. rs... Talvez pra ela também seja hora de aprender que às vezes nem merecendo se tem o que quer. #fato!


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