29.5.13

Não se despeça de mim.

Para não me despedir eu sumiria pela porta dos fundos. Nenhum problema em dizer tchau, te vejo qualquer dia, te vejo daqui há algum tempo, alguns anos... tudo incerto em poucos segundos longe dos olhos.

É o fim de um momento, uma presença, uma fase...e não adianta comemorar porque depois de sorrisos é a falta que vai ficar na fotografia.

 Olhos mais brilhantes, abraços que visgam, palavras que já não comunicam, gestos que se encaixam e as sensações que não passam. Tudo é diferente numa despedida!

A despedida é quando a gente coloca no mundo a saudade que há algum tempo já havia gestação, sem noção. Partir ou deixar que vá carregando na bagagem tudo que nunca conseguiria ocupar o espaço de quem você carrega no coração. Nenhum peso é maior que a distância!

 E já com o aperto no coração e a necessidade de partir - porque nenhuma vontade ousa sobressair ao apego - nesse momento de esforço e sucção das forças, é nesse momento que lágrimas te algemam, que palavras te corroem, que olhares te fixam, que mãos te prendem. É você contra tudo aquilo que te faz feliz e vivo.

São quilômetros de tristeza e o eco da última frase pequena e simples regadas com lágrimas de sua mãe, sua melhor amiga, do amor da sua vida. É um incentivo sem jeito sabe?! São os conselhos emocionados de seu pai e o entalo do seu irmão. É a piadinha de um tio e de um amigo que descontrai alguns segundos. É uma homenagem descabida que te deixa sem graça e concentra todos, todos que você queria por perto, mas que ironicamente estão ali para se despedir.

Se despedir é para os fortes porque por mais esperança que se tenha em um novo encontro, não há certeza que permaneça. E eu revi todos que se despediram de mim... mas não estive em momentos inusitados, que não são a mesma coisa quando contados por telefone, e não rí daquela cena que me coube imaginação, nem joguei as mesmas tardes de papo fora...

E você não sabe quanto tempo, quanta perda, quanta mudança, quanta novidade você suporta. Você só sabe da saudade, da vontade, do desejo que te prende onde não te cabe mais.

Nada me quebranta mais que ver as costas que se afastam, o carro que vira a esquina, a arrumação da festa, da mala, da mudança... a ligação de chegada intacta ao porto que não é na minha porta. Nada dói mais que não ver quando o desejo bater.

Não se despeça de mim!

[texto confeccionado em dezembro de 2008 e resgatado pela mesma sensação de agora]

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