30.6.13

A culpa é minha e eu compartilho...


Pra confrontar meu prejulgamento pela capa, estava ali "A culpa é das estrelas". Capinha sem jeito como desenho de criança, misturando o azul celeste com nuvem negra para o título e nuvem branca para o autor - com mesmo destaque? - e continuada com promessas de me fazer rir chorar e querer mais. Parecia presunção se não me informasse que veio da mesma cabecinha que acompanho raramente através do vlogbrothers no youtube. Mas porque raio a culpa é das estrelas numa capa que contém nuvens? Que estrelas? literais ou os "astros"? A culpa de quê? Qualquer culpa? Eu e minha curiosidade pipocada rapidamente em listas considerável de questões que não me deixariam em paz...

E nada me dizia que me aguardava um belo romance com profundidade, sem perder de vista cotidianidades. Comecei do primeiro capítulo a me identificar com a Hazel Grace, que vive sintomas de morte convivendo com o câncer. Na trajetória doce, melancólica e ainda divertida, são expostos dilemas de uma adolescente diferenciada pela doença, mas também pela cabeça de alguém que permanece viva - viva! -, inclusive no despertar do amor.

 O dilema de ser uma granada com medo de ao explodir dilacerar mais vidas que as necessárias, digo, a dos pais, que não têm para onde correr do efeito colateral do universo mutante, e no entanto, não pretendiam deixar de ser pais sabendo que não deixariam, afinal, o amor não morre. #complexo
 
Dessa forma envolvente, especialmente na inteligente ironia adicionada aos diálogos, é que temas sérios e complexos de verdade são tratados com singular naturalidade e dosagem perfeita de humor...como a morte, como os mortos esquecidos ou não canonizados em museus por heroísmos, sabe?! São aspectos minuciosamente pensados com astúcia e ambição, que doem mas não pela intenção de machucar, mas pela beleza ficcional de possível realidade - filosofei consciente de que a tristeza só revela quem somos, rs... São pensamentos complementados com pensadores, com direito à viagem internacional à Amsterdã e sua beleza detalhada... e que em cada página, o Gus cativando a Hazel só concretiza minha ideia de que o membro mais importante do corpo é o cérebro - apaixonante!



Não dá pra escolher se você vai ou não
se ferir nesse mundo, meu velho, mas
 é possível escolher quem vai feri-lo.
(Augustus Waters)


O livro foi me envolvendo de uma forma que mesmo antes do termino - que já não importava tanto, um vez ciente da possibilidade de não ser o feliz que nos domesticaram -, já carregava em mim grandes aprendizagens, pequenas lembranças que impossibilitariam a morte definitiva dos personagens enquanto houver vida em mim. Eles são/serão heróis, fictícios e mortos - porque morte não é "se" e sim "quando" -, mas heróis por não realizarem certas coisas, mas me proporcionarem repará-las cativa.

Carrego agora, em mim e ao meu lado (em forma de livro), a noção exemplificada do quanto alguns infinitos são maiores que outros;

De que as batalhas travadas contra si próprio podem ser perdidas antes do tempo quando deixamos o eu descrente e fraco percorrer nosso universo mais rápido;

Que a ignorâncias pode ser uma bênção, mas não muda a realidade, que por sua vez, muda a cada aurora transformada em dia;

 O mundo, definitivamente, não é uma fábrica de realizar desejos, mas as pessoas preferem se permitir satisfazer/privilegiar perante pena, remorso, comoção;

A importância das relações humanas quando sinceras e das quais não se pode ou deve fugir;

A fixação da ideia transmitida em aulas de teorias da comunicação, mas que ganha outro caráter na figura de um cachimbo que por ser uma figura é apenas uma representação (by Renè Masters);

A "dica" de que talvez conhecer autores preferidos pode humanizar demais o destinatário daquele apego que construímos ao "divinificá-lo" - e agradeço pelo nível de proximidade distante que me faz continuar amando os meus;

E principalmente, a ideia de que se tudo fosse milimetricamente de uma forma diferente do que é, os encontros, os encantos, as frações, as feições, as estrelas não se cruzariam como se cruzam. Sim, a culpa é nossa e das estrelas também... Está escrito nas nuvens! Nó céu. No universo presente no indicativo do "eu te amo"...

ps.: eu aceito a minha escolha e escrevo não para ressuscitar, mas enterrar. Aconselho relevar a capa para que o livro seja melhor analisado. rs...


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