24.8.13

Deixar...

 

Eu sei, estava fazendo isso errado, mas enquanto almoçava sozinha escutava a conversa da gatinha da mesa ao lado. Como aquelas fofoqueiras ruins, me distraí mesmo, atenta, quase dei palpite, rs...

Ela falava que não se comunicava com uma determinada pessoa fazia algum tempo e que estava preocupada porque não sentia falta sendo que aquela tinha sido a única que havia lhe feito pensar num "pra sempre".

Embora tenha sido uma circunstância totalmente diferente a da Bella Swatt em Lua Nova, o livro que considero mais triste da Saga juntamente por lidar com essa questão de sentimento x ausência, distância, despedida... automaticamente lembrei de um trecho que diz assim:


“Por mais que eu lutasse para não pensar nele, eu não lutava para esquecê-lo. Eu me preocupava - tarde da noite, quando a exaustão da privação de sono penetrava em minhas defesas - que tudo desaparecesse. Que minha mente fosse uma peneira e eu um dia não conseguisse lembrar a cor exata de seus olhos, da sensação de sua pele fria ou da textura de sua voz. Eu podia não pensar naquilo, mas queria me lembrar de tudo. Porque só havia uma coisa em que eu precisava acreditar para poder viver - eu precisava saber que ele existira. Era só. Todo o restante eu podia suportar. Desde que ele tivesse existido.” (Stephenie Meyer)

Esse trecho em especial eu trago como um dos prediletos. Descreve perfeitamente o que muitos sentem  em fins, separações, faltas. Descreve a questão que fica quando as relações são inacabadas. É o medinho do desapego não é verdade? sim, porque quando dá sossego o apego deixa de ser amor...

As vezes o que a gente tem são lembranças bonitas que não voltam. Talvez o "pra sempre" sejam apenas minutos que de tão bem vividos tornam-se eternos. As vezes o que a gente sente é só carinho por momentos que nunca serão reprises. Neura por pessoas que não são mais as mesmas. E a gente se amarra aos pés do nada, sabe?!

Lembro que um dia, quando parei de cavalgar com um amigo, ele prendeu um cavalo e deixou o outro solto. Perguntei se o cavalo não iria sair dali e meu amigo respondeu que na posição que ele tinha deixado, em paralelo ao outro cavalo preso, aquele acharia que estava preso também. Não esqueci aquilo e costumo me perguntar quão irracionais podem ser os amantes. Achar e querer estar preso. Não enxergar nada, nem a lógica a frente, as possibilidades, as probabilidades... Tão louco quanto parece deixar que se vá, deixar de sonhar, deixar de amar...


Falando em deixar de amar, nunca esqueço da sabedoria de Zezé em Meu Pé de Laranja Lima ao dizer:



“Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.”
(José Mauro de Vasconcelos)


E ao tempo, fim!

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