29.9.13

Numa viagem assim



Era noite de segunda, alguma de inverno quando eles se conectaram. Um deixava seus óculos percorrerem ao longe os leves diálogos de Green para se convencer que sempre era tempo para recuperar o coração que desceu ladeira abaixo. O outro lia Brown como se perder-se no inferno não fosse tão eterno assim. Pertenciam ao mesmo vale desde os primeiros suspiros em cores. O destino simpático lhes apresentou em corredores acadêmicos. A ironia da vida percorria por universos tão dispersos quanto Green e Brown.

Talvez por terem crescido distante das livrarias seja uma das explicações para o apego aos cadernos, lápis e teclas. Entre os mais simples versos e acordes ousavam prever-se. Cotidianidades, atemporalidades, sentimentalidades que paravam em caixas editáveis de blogs sem nenhuma mudança. Diziam que cada inspiração gerada em madrugadas cujas canecas detestavam café, era capazes de narrar uma saudade desconhecida de si. E se não narrasse, pelo menos uma serviria para outros pares se entenderem por aí.

Por mais de vinte anos nunca tinham se visto. Nunca realmente acreditaram na existência de um para o outro. Certamente as imaginações eram romantizadas sem nomes ou feições, deixavam que o coração construísse tudo que dedicariam ao outro. Outro que não eram os outros que passaram por suas vidas. Um dia, quanta ironia, o destino propôs na estrada que a leitura desse lugar a escuta de uma Falcão. "E foi assim..." que o encanto tirou os fone e colocou advérbio nos lugares.

Ouvi dizer que a sintonia foi digna de uma dimensão paralela, aquele que abriga sensibilidade e intelectualidade num só espaço. As histórias inventadas foram divididas, afinidades desde as lembranças das literaturas e travessuras infantis. Eram como dois amigos que após anos se reencontravam na viagem ao interior que nunca saíra de dentro deles de fato. Havia confiança ali e uma curiosidade incerta do que estaria por vir. Ainda era cedo supor que compartilhariam realidades, beijos e receios temporadas à fora. Mas, por hora, seus universos equilibravam a razão, as certezas, emoções, e o humor um do outro...

Naquela viagem a estrada sorriu para as duas metades.
Green e Brown. Prosa e Poesia. Caneca e Livraria. Falcão e fantasia. Fofura e Melodia. Trabalho e maresia.
Chatice e calmaria.
Ela e Ele,  noite e dia.


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