15.9.13

Requer-se



Requer-se um amor desses todo errado. Mas todo errado mesmo! Sem cartinhas românticas, sem apelos públicos, sem cavalheirismo forçado. Um amor que fuja do vinho no jantar de primeiro encontro na casa dos pais e leve direto pro passeio com os amigos no final de semana. Um daqueles amores que prefere rolar no chão da sala que dormir de conchinha. Amor que do humor tira o apelido mais inexplicado que abestalhado!

É requerimento que esse amor, ocupado, não se lembre de você o tempo inteiro, no entanto isso não te faça menos especial nem te ponha em lista de opções, pois ele tem a medida exata de demonstrar atenção exclusiva pra você. Um amor que cisme com sua cara depois que você conta sem querer o final do filme que ele não assistiu e ria quando assistir o filme que você tanto pediu. Aquele amor que sequer dá conta que está cantando no carro quando você é passageiro e no sábado está cantando em parceria e pulando ao seu lado em um show que nem queria ir.

Requer-se aquele amor desconfiado, de antigas, que ciúme por dentro e queira resolver tudo com minutos de papo que terminam em risos, mas que só resolve realmente em horas de pegação. Aquele que além dos olhos utiliza as mãos para falar e adora o toque das suas. Essa espécie de amor sem pudor, mas que te respeita como a coisa mais rara já conquistada.

Requer-se um amor que não te compreenda perfeitamente, digo, muito bem, mas que te acorde com um beijinho na testa, te arrepie quando esfrega o queixo no teu pescoço. Um amor que te enlouqueça com uma mensagem boba, paralise com um sorriso ou um piscar de olhos discreto no meio de um evento público. Alguém que direcione teus passos ao tocar tua cintura e te oriente em qualquer lugar do mundo te abraçando como apoio. Um desses perigosos, que te arranca da multidão e te leve para o canto mais escuro e não determine a previsão do intervalo de tempo - aliás, importa que vai fazer calor!

Requer-se um amor que não seja homogêneo, corpo-alma-pureza-transparência-cegueira-talztalz...mas que tenha o desejo latente de amar. Amor que amenize defeitos, enjoos, abusos de final de domingo. Amor desses que não necessita ferramentas de busca, tampouco exaustiva espera. No fundo de tudo, um amor que seja revelações, contradições, quimeras.

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