3.11.13

Saudade-ade-ade

Ainda não achei ninguém que domine a arte da saudade. Equalize aí... porque eu disse SAUDADE! É! Quando ela bate a gente apanha e não consigo concebê-la como somente sensação, sentimento. A saudade é um monstrinho criado, talvez bem alimentado, talvez um safadinho invasor, espécie de morto-vivo. O fato é que fazendo loucuras quilometradas, fingindo relevá-la ou deixando doer pra ver se passa, ela permeia nossas vidas, nossas casas, nossos sonhos, nossos amores.

Dia desses ouvi que a saudade é viver na companhia da ausência, quando o sentimento não foi embora mas o recipiente já. Sei que saudade é capaz de fazer as coisas pararem no tempo e as vezes nos engana tão bem a ponto de parecer amor, outras tantas, desespero. Saudade é remoer, não deixar passar, não enterrar mesmo que não exista mais. A saudade que dói, dói, dói, machuca quando bate no coração que passa a só apanhar. Saudade é dos que perderam, dos que ficaram, dos que pressentem. Não conheço ninguém que a queira cativa, conheço sim, os que não sabem mais como suportar.

Quem não tem motivo pra sentir saudade não viveu e aí Pablo, o Neruda! Diz que o maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido. Ironicamente poderia ter sido o cantor que sofre também... Saudade é uma curiosidade teimosa e não aceita desculpas. A saudade é uma erva daninha que no melhor dos casos precisa ser assassinada. Saudade requer espaço, de tempo, de amplitude e longitude. Saudade cria lágrimas, cria caixas, cria morfo, cria traumas, cria ações. Criações! Saudade tem sabor, tem cheiro, tem dono, tem eco, tem cor. De saudade eu entendo, mas se tiver antídoto além de não sentir, me informe, por favor!



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