29.12.13

Aniversariando


  

Também já me perguntaram o que queria ser quando crescer. Até hoje quando acordo tento responder, ao menos a mim, além dos poréns, apesar das inconstâncias, minha única certeza. Pra ser grande preciso ser feliz! Eu quero é ser feliz!

O tempo vai passando e no dia de acordar mais completa, anualmente, acontece aquele pot-pourri do que aconteceu até aqui. Tanto me surpreendo quanto me identifico com alguém que parece passar tão em outro plano que parece personagem de cinema.

Talvez aquela criatura lá de trás fez coisas que não reconheço em mim e uso como incentivo quando começo a pensar em ficar triste. Em algumas circunstâncias me questiono assim:"ué, não foi você que superou aquilo lá?!"... ela não me dá o direito de ser fraca e muita coisa vira fichinha.

Esse mesmo ser já deixou pra trás outras coisas por medo, por apreensão, por doação, coisas que talvez somariam na experiência de ser feliz, mas ahhh, não importa, ela ao menos serviu para me provar que não importa mais, não foi nada demais, e de agora em diante o caminho continua e as possibilidades multifacetadas devem ser criadas e aproveitadas! 

Lembro anos, se tornaram décadas. Lembro a vida, de criança, de estudante. Lembro de ser, sempre, inteira! Aluna com dificuldades, curiosidades, congratulações. Lembro de amar, próximos, amigos.

Lembro de atitudes engraçadas, constrangedoras, nunca repetidas, jamais esquecidas. Lembro das loucuras, ahhh, as loucuras, de dentro, de fora, do lado, do outro, pra cima e pra baixo. Lembro do tamanho tão questionável quanto o peso, do pouco tato com relações, rs... Lembro das brigas que comprei por direitos que iam muito além dos meus.

Lembro das mudanças de cabelo, de casa, de sonhos. Lembro de sair de casa, de abandonar Aracaju, da chegada em Cachoeira. Lembro do batismo, dos micos, das preferências. Lembro das viagens, inclusive daquelas que irão acontecer.

Lembro das companheiras de casa, perfeitamente aquelas que foram planos. Lembro de perder conhecidos, próximos, minha cadelinha. Lembro de remédios, doenças, exames, tratamentos. Lembro das aulas sofridas, dos trabalhos ainda mais sofridos, dos turismos forçados, das farras inventadas.

Lembro das paixonites que hoje tenho certeza que nem sabiam por onde trilhar para virar amor. Lembro da agonia aos 13, teimosia aos 17, sufoco aos 19, escolhas aos 22, postura mais livremente madura a cada dia.  E lembro que...pouxa, minha vida é perfeitinha mesmo, tenho muito que agradecer pela sorte até do que não deu certo, de hoje ter plena convicção de que quando tem alguém disposto a receber amor não há necessidade de cuidado para amar, de que minha parte feita com o melhor de mim ameniza qualquer dor, com o tempo. 

Lembro das descobertas e redescobertas, temperamentos e explosões, reações, do rock, do lápis de olho, do all star, do internacional, das séries, dos livros, dos posteres. Lembro da decepção, da dor, dos enganos. Do meu quarto escuro, das madrugadas.

 Lembro de Rolling, Meyer, Lispector, Medeiros, Green. Lembro dos apelos! Tento esquecer Max, Duckhaim, Barthes, Cancline, Kellner e até Adorno, rs... cultura, massa, meio, mídia e ahhh! Lembro da vontade pelo amanhã...

E eu não teria outra vida não, teria mais vida, terei, amém! Terei essa vida enquanto houver memória. Igual ou semelhante assim mesmo, rs. Me tornei a soma  das decisões, boas ou não, das aprendizagens, dentre elas me admirar, ouvir, valorizar, creditar mais.

E a narradora das fugas, de fora parece até simpatizante, rs... escreve no dia em que se encontram para comemorar a vida. Hoje ela vem pra narrar isso... É isso aí, dona Laís - dona não - nem Senhora, princesa, rs... é isso aí, tá indo bem, continue assim, vá longe, siga em frente! Perfeição não existe e talvez essa certeza seja o maior presente de aniversário. Mais 365 multiplicados por amor aos seus, as causas e causos, aos sonhos, degustáveis e graves. Dias para conhecer, realizar, para perder, recuperar, para se perdoar por bobagens e se assumir por inteira. Sabedoria para continuar decente e humana, ciente das limitações e tantas precariedades.  

E que seja novo, novamente feliz pra todo mundo aqui, em mim, assim...

(Amém.)

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