1.12.13

Pré-outono




Cidade Sol, verão 2013.

Um pouco de Bon Jovi sem esquecer Chico. As coisas vibram laranja e desisti dos band aids, exponho roxos. Hoje é um daqueles dias que parafraseio Jota Quest pela necessidade de te ver de qualquer jeito depois de um dia normal.

Não comi direito,  dessa vez, nem fruta. Tomei banho gelado, no meio senti frio. Dormi de bruços por não te sentir ao lado. Pensei em cortar o cabelo para combinar com as unhas quebradas. Sou frouxa, não tiro tempo nem para escurecer.

Não quero sair, evito a impressão de que alguém vai procurar conversa, esperando um sorriso, no supermercado, no banco e até na fila da farmácia. Faz tempo que esse aperto no coração não sai de mim.

Ando lendo. Pés descalços, pijamas e mais pijamas. As vezes tranço os cabelos imaginando os momentos que passarei de relance em frente ao espelho. Faço as sobrancelhas para que elas não rascunhem os mil caminhos possíveis para nosso futuro incerto. Sinto saudade da dança, da nossa, da que imaginei pra você. Preciso deixar os pratos limpos. Estender nossa história no varal e deixar que as lágrimas sequem.

Não sinto nenhuma dor, certamente os sintomas sintam por mim. Meu corpo me esqueceu mas eu não desisti de você, de nós. Comprei livros, para variar, pela a internet. Leminski me entende e as poesias te esperam para me usar como musa. Ontem vi um filme europeu e o ator parecia você, ou eram lembranças mais que semelhanças. Ironicamente percebi que sou louca por você.

Meu pai é discreto na ciência de que algo rouba meus pensamentos. Meus amigos brincam, dão corda, te caçam. Até meu cachorro tenta me distrair para que não me perca olhando para o céu. O céu está em todo lugar, ele te alcança enquanto eu filosofo querendo me subliminar ou criar asas feito anjo. É que não é suficiente avisar, nem necessário, eu sou intensa, sabia que assim iria mesmo me apegar.

Teu sorriso ecoa em vulto [ou aquele tapinha que você dá na testa por qualquer bobagem que falo sobre futebol]. Você me fez tão bem que continua fazendo parte de meus dias com sua ausência inesgotável. Tenho medo de algumas promessas, a que o tempo traz esquecimento e apaga saudades que um dia existiram. Mas só temo por você. Eu sou detalhista, guardo sentimentos contínuos e minhas listas de prioridades com carinho.

Troquei meu suco de cupuaçu por uns chás da minha mãe. Troquei os desenhos em nuvens por desenhos em mel que gotejo pela mesa, desculpo-me ciente de que é um 'estabanamento' impaciente. São consequências de uma tristeza ansiosa. A academia é só mais um peso, prefiro a companhia cômica do meu irmão.

Gosto de você, recôncavo, reverso... do avesso. Me restam meus inúmeros travesseiros. Um deles tem teu cheiro, o que pode ser muito bem fruto da minha imaginação. Preciso parar de sonhar acordada, talvez parar de conversar sozinha, ainda mais sobre você, ainda mais com o Fabricio Carpinejar. Estive com ele. Estive com você.

Queria saber onde estás agora. Onde se encontram teus olhos quando não estão em mim. Queria que você falasse de mim com empolgação. Será que você ainda se atrapalha com as horas de sono, com as luzes lá fora? Será que defende a bebida fazendo dela uma aliada? Será que cuida do jardim cultivando lá o que não está em casa? Será que se sente livre e sem ninguém no pensamento? Saudade dói mesmo, continua a doer e não é como se tivesse escolha. E talvez eu prefiro que você saiba o antídoto para não doer, não te quero nenhum mal! Ironia das bases construídas - tripudia, samba, goza.

Queria te pausar em nosso porto, nem que fosse uma gôndola em Veneza....

Ainda uso minha escova de dente mas não faço ideia de por onde anda meu RG. Não importa, meu único endereço é o que, ao acordar, me leva a te encontrar e àquela dúvida de se hoje falarei com você. Necessito é do dente-de-leão da primavera, do amarelo vívido que significa renascimento em vez de destruição, da promessa de que a vida pode prosseguir, independentemente do quão insuportáveis foram as nossas perdas. (Jogos Vorazes, Katiness, pág. 417) . É, gostamos dessa história. E de toda Esperança que nasce ao redor dela. Algumas ideias poderiam ser abortadas, legalmente! Talvez fiquemos secos de sonhos, ganhemos o mundo dos negócios e fiquemos ricos. Talvez juntos, sejamos tudo e ainda sonhos.

Certamente esteja falando tanto quanto sinto. Fui demais? Deveria ter me contido. Mas não canso de ser contigo. Algumas angustias se vão com gibis. Super heróis me consolam. Me divido em séries, sou zumbi da Maggie. Sou transes de emoções, explosões de lances. Tenho o mesmo receio a causar expectativas que o Damon. Não aceito choro mimimi, sou bebê somente para ti. Meu sono e fôlego, sufoco.  

Será que quando todas as minhas folhas caírem, por não aguentar mais essa temporada inconSOLável, a gente se renova?

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