25.12.13

Presentes o ano inteiro

 Não estou afim de criticar o consumismo ou falta de foco na comemoração. Não tô! O que sinto é saudade da ansiedade que continha aqueles passos ligeiros de quem peca, que ainda evitavam qualquer barulho que pudesse entregar meu esconderijo, onde me encaixaria desconfortável mas com visão privilegiada para árvore atrás da poltrona. Tenho saudade do clima que rodeava a certeza que tinha da chegada do Papai Noel!

Aquela noite era sempre a maior dos conflitos da minha vida, era contra mim mesma: meus olhos que piscavam mais que o pisca-pisca da árvore nunca escondia o desejo de ver o velhinho chegar, mas minhas forças eram escassas, nunca os mantinham ligados por tempo suficiente. Nunca venci de mim, sempre dormia no chão frio até o momento que subitamente acordava assustada em minha caminha, pela manhã...

Frustração, deixei de acreditar em Papai Noel sem tê-lo visto pela última noite. Era como se tivessem roubado de mim também o clima que me fazia separar o que não usava mais para ter o prazer de ver outros rostinhos não tão privilegiados como eu, felizes... como se a dedicação em ajudar minha mãe a retirar, limpar e arrumar todos aqueles enfeites de Natal e o perdão dado ao meu irmão por quebrar minha boneca preferida não fizessem sentido, sabe?! Sensação de quem despedaça um sonho até nunca mais!

Hoje eu olho a árvore, ainda tenho paixão e fissura pelas luzes. Todas aquelas ornamentações em lojas, shoppings, praças, por onde quer que eu vá já há um mês antes me fascina. Sinto cheiro misto de aura doce e diferente de todos os outros meses agora. O Natal tem essência própria e se acredito em magia vem no encanto dessa época. Mais do que simbolismos, gosto da família unida, mesmo que seja só para ceiar...

Nenhuma luta maior que a vontade de acreditar como outrora, ter a fé do tamanhinho de um grão de mostarda que moveria montanhas, sabe?! Porque eu sei que esse tempinho antes do fim do ano, mais fraternal, é o tempo que temos para planejar, querer, aguardar, renovar, e meu recomeço vem com aquele receiozinho à expectativa, tratante, capaz de destruir tudo que tenho por dentro... 

Não julgo como sonhos supérfluos os que eu tinha; A felicidade de receber o brinquedinho detalhadamente do jeito que eu queria não era completa se ele fosse simplesmente largado ali; dava valor à entrega do destinatário. Já recebi na árvore, na janela, nos pés da cama, mas nada me assustou, deixou eufórica e marcou tanto minha vida quanto poder ver Papai Noel me honrando com a presença ilustre em plena luz do dia (mesmo que tenha chorado de medo e hoje saiba que ele foi pago).

E é assim, a gente recebe prêmios todas as manhãs, mas se não tiver visto a entrega temos dificuldade de enxergar e receber. E quando os detalhes existem mas não são os que imaginávamos?! Ahh, acho incrível a capacidade que temos de sermos ingratos com nosso Papai. Estamos recebendo presentes... e esses serão igualmente ou ainda mais capazes de nos proporcionar horas de sorrisos.

Não quero criar expectativa de desejar, mas quero poder enxergar todos os presentes que receber, e se Ele vier me entregar em mãos, aah, verei o sentido de renascer.



Feliz Natal agora, presentes o ano inteiro...




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