19.1.14

Álbum de casamento

Queria uma foto específica. Uma lá da infância em que me lembro que a roupa que usava combinava com o tecido da rede. A vontade de achá-la e revê-la, talvez exibi-la, era tanta que até me dispus a abrir a gaveta de retratos que parecia um túnel ao passado, com direito ao cheiro que afronta minha imunidade e tudo mais.



No meio do rebuliço encontrei o álbum de casamento dos meus pais, já estava sentada, mas aquele álbum branco com letras escuras interrompeu minha pressa, desviou meu foco... me pus a analisar todos aqueles convidados, alguns que reconheci, ainda fazem parte da nossa vida, outros que acredito nunca ter chegado a ver, os bastidores, a moda da época, de cabelo, de roupa, do carro. A felicidade dos rostos jovens de meus pais no altar. Emocionante e engraçado!

Acisa Sousa e Aldemiro Araujo sofreram a ação do tempo mas alguma coisa no brilho do olhar e na veracidade do sorriso não mudou, eles são realizados juntos. Se encontraram entre tantos planos, entre tantos sonhos, entre tantos outros... muita sorte (e vontade)! Hoje aquela família que iniciava tem quatro membros e um cachorro. Uma família que pode ser considerada tradicional, capa de revista e linda por essência mais que aparência. Ostento mesmo!*

Aquele álbum, com capa grossa, para eternidade mesmo, resistente à traça e tempo, é mais que a lembrança de uma festa, é o marco de um esforço de um casal que por quase três décadas juntos dedicaram tempo para criar mais chances que os demais, superar preconceitos, respeitar, perdoar, dobrar o orgulho, analisar decisões com calma.

Cada foto que passei, protegida por uma espécie de papel manteiga, aquele fininho e transparente que mantem a limpeza, talvez simbolize a proteção simbólica da troca de aliança e da seriedade com a qual meus pais encararam a nova fase de descobertas, sim, mas de convicções que iniciava. Nenhum dos dois tinham experiências anteriores, amadureceram juntos, lutaram para se manter juntos na vida adulta, como aprenderam com seus pais [logo me remeti a música de Nando Reis].

{*Meus vôs maternos são cúmplices até hoje. Minha vó paterna, na ausência do vô que não cheguei a conhecer, permanece só até hoje. E é mesmo incrível como isso repercute - não acredito que seja determinante - na vida dos filhos deles, meus tios, e provavelmente fortaleça o espírito de família nos netos.}

Talvez hoje, eu e meu irmão tenhamos mais dificuldade de enxergar / encontrar parceiros assim, mas acredito que temos fé. Acreditamos no casamento, acreditamos em pessoas que ficam continuamente juntas e são felizes assim - não se trata de dependência, acomodamento... Desejo que meu irmão encontre em sua esposa motivos para defendê-la como defende nossa mãe, valor que aprendeu a dar com meu pai. Desejo que eu consiga, com meu marido, trocar sempre o orgulho e a cobrança pela cumplicidade sintonizada que as vezes achei incompreensível em meu pai, interroguei a minha mãe. Talvez eu e meu irmão acreditemos no "pra sempre", definitivamente não sabemos o que é separação, ausência, partidos... não existe naturalidade e facilidade em nada disso, portanto, não há necessidade de atitudes precipitadas porque aprendemos, sendo amados, a amar, e o amor é responsável por tudo de lindo que a vida tem para dar.

Parabéns aos meus, e ao mesmo tempo, obrigada (há valor e diferencial nisso)!
28 de janeiro de 1988 - 26 anos são bases firmes, estruturas sólidas.

(Laís Sousa)

5 Comentários:

  1. Orgulho de você, filha! Oro desde muito tempo pra que Deus escolha o companheiro de vocês, seu e de Lanner. Que eles reconheçam e lutem pela manutenção dos laços que os unirão, pois creio nessa entidade sagrada e sonhada por Deus pra nossa vida, o matrimônio. Vocês não vieram pra nós com o intuito de nos manter unidos, mas certamente são uma consequência maravilhosa que nos dão força, inspiram o exemplo, motivam o companheirismo e a gratidão Àquele que nos concederá a graça de estarmos juntos até nosso último momento nesta vida, que tem valido a pena porque temos um ao outro. Não saberia compartilhá-la com mais ninguém...

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  2. É normal chorar? Rs que coisa mais linda gente! Ah eu quero uma cópia 😢😍😭😒

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  3. É normal chorar? Rs que coisa mais linda gente! Ah eu quero uma cópia 😢😍😭😒

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