20.2.14

Meu Medo



O jeito que você passa a mão no meu rosto
apertando de leve meu nariz,
me encanta tanto...
O tempo que esquece o olhar no meu,
me entorpecendo com seu cheiro,
como se decidindo se o que estamos vivendo faz sentido,
me faz fechar os meus
e implorar para que seja eterno como parece magnífico.
A certeza com que tua mão toca a minha
no vazio lotado de qualquer canto
me molda da alma à aura
e me leva contigo, flutuando.
Assim que eu chego e te encontro a minha espera
 porta aberta, na esquina de algum ponto
me perco na luz dos teus olhos e no sorriso tenho abrigo
 - não quero acordar!
E ao despertar, com o raciocínio meio lento,
te desejar é meu contento:
as vezes deixo oculto, as vezes não aguento.
Quando me move como se fosse pena,
 me chama de pequena,
 me aninha ao teu redor,
eu ganho as asas de uma embarcação que rema
e teu peito é meu porto,
nenhum melhor!
Com a trilha que você escolhe pra fazer a noite mais tranquila
eu posso sentir a raridade do que tenho ao lado, aliado!
O caminho que você traça curvas pelo meu corpo, admirando detalhes,
finjo ser ofensivo...
inibe minha reação, surpreende minha imperfeição e não demora a me entregar.
Me invade!
Como se meu manual tivesse rasurado,
você mudou o motivo do meu corpo arrepiado
e dor alguma pode vir do espalmar da tua mão...
receio te chamar de amor, quem me vê sente, a diferença arde.
O medo de me atirar que você enxerga,
eu posso explicar:
Você entrou na minha vida e deixou ela mais bela.
Sabe como é, nem toda estação repete a primavera...
Tento controlar cada impulso, as vezes te expulso, pra não te ganhar a pulso
não sei, não quero e nem posso mais te largar.
Mesmo não entendendo ao certo,
porque a única certeza que tenho é vento
Me sinto tua em cada rua, nua, e confesso.
Embalada, embolada, estressada até acalmar,
Te sinto em mim, te sinto e fim, me convenço...
- há como reparar?
Desculpa se já te enxergo ampliado e a perfeição é peso dobrado
 mas se te enobrece e me insegura, me endireita e é a cura.
Se meu ciúme e tudo que eu tenho errado te causar suspeita,
deita, que meu medo é saber que um dia você pode acordar cansado,
eu não te ter por perto, você não me querer ao lado.

Eu tenho medo de perder a memória e ela me levar você!

(Laís Sousa)

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