9.2.14

Um roteiro



Eu preciso de um roteiro hollywoodiano onde eu seja a personagem principal. A princesinha, sabe? E que no enredo eu não tenha angústia, medos, pavor de errar e ter que recomeçar tudo de novo. O que eu quero é meu final definitivamente feliz! Eu quero está fadada a isso...

Talvez eu passeasse por uma rua ladrilhada, de mãos dadas, veja só! E dias cotidianos pareceriam feriado. E eu estaria aportada, habitante de algum lugar paradisíaco onde todos subsistiam, se conheciam, se divertiam, sorriam e contavam história que terminavam com um "e foi assim".

Eu compraria frutas frescas e voltaria para casa dando mordida. E eu cheiraria rosas de avelãs todas as manhãs! Teria um cachorro esperto e me encantaria com criancinhas brincando no balanço do parque com vestimentas coloridas.

Estabilidade emocional é o maior poder de um escritor que pode privilegiar e permitir na vida, sem receios. A gente, gente comum, não tem esse tipo de controle e tem que viver com desafios, confrontos, fora do quadrado, fora da tela e tão suscetível a falta de perdão, de chance, de oportunidade... sem ensaio, sem tentativas.

No meu filme, eu dormiria a tarde e você colocaria músicas de Chico pra deixar meus sonhos mais bonitos. Você poderia dar a volta ao mundo, mas no fim do caminho eu seria teu único abrigo.

Sabe quando você se sente um constante rascunho... Folhas e mais folhas de erros. De tentativas exaustivas, sofridas e em vão? Folhas que te desgastam, que criam expectativas de acerto, mesmo que sem promessas, mas criam? E você pensa que essas folhas te ajudariam a chegar ao resultado almejado da álgebra simples de Um + Um = Dois, mas parece que você não aprende como resolver a incógnita e o problema é com você?

No meu filme as folhas estariam preenchidas. Não sei bem o significado disso, mas eu só teria que seguir o roteiro.

Talvez signifique que para encontrar o desfecho sonhado não podemos nos desgastar demais. As coisas teriam que seguir em frente, sem pausas prolongadas de dificuldades, desculpas, sofrimentos. Não sei se seria certo chamar de desapego, prefiro chamar de destino, em frente.

Mas eu ainda queria, sabe? A nossa viagem em Veneza e te registrar feliz. O nosso ap pequenininho arrumado do nosso jeitinho e na garagem os nossos carros, um preto e um branquinho. Uma banheira e uma estante ultra cheia, tá, com alguns livros repetidos. Talvez no final dos dias sentássemos para escrever nossa história de amor, juntaríamos verso e proza, um best seller, por favor! Você cozinha, eu organizo detalhes, pago as contas... ou vice-versa, a gente apronta e no SJ, ninguém daria conta. No telefone fofocaria com sua mãe, no final de ano visita a fazenda do meu avô... seria fácil o mundo acabar assim, com seu amor.

Talvez eu esteja tão apegada aos sonhos que amo tua importância para mim. Talvez fosse mais fácil desistir, sabe? Desistir para saber. Desistir de sentir você. Entender "vida que segue". Afinal, perdi o baú e você levou a chave. Meu barquinho sem âncora está a deriva no mar. Meu  planeta sem anel está orbitando sozinho em algum lugar...

Quem sabe só precise estreiar...

(Laís Sousa)

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