27.3.14

Amor de musical

 

Já falei de quando os livros são cupidos, mas sinceramente? Se encontrar alguém que ouça Capital e Jovi ao tomar banho, Chico, Ana Carolina e Gadu pra meditar e entenda o que é revezar Magal e Beatles para se jogar no descompasso, eu caso! Da mesma forma que se encontrar um fã de RC eu não pego nem carona, haha.

Zoações à parte... sei que afinidades não seguram uma relação, mas o vínculo musical é eterno! Duvida?

Os amigos que viram de infância em menos de dez minutos são encontrados onde? Na beeeira de um palco, num vuco-vuco desgraçado, apenas porque sabe o nome do baixista da banda daquele cantor pelo qual cotoveladas viram afagos. Em show protagonizamos histórias pra contar por toda vida e ninguém vai esquecer cada membro da galera com quem você correu em busca de uma singela foto feia que só ela.

Só quem não curte ouve a expressão "pelo amor de Deus" e, mesmo em meio a uma discussão, não grita: "Jorge e Mateus" - porque música é humor e à prova de mal entendido! Em contrapartida já vi casal entrar em briga porque a mulher não teve companhia quando quis assistir ao acústico de Nando Reis que enfim acontecia na cidade. Jogou logo na cara: Aquele dia fui com você naquela merda que acabou tarde!

Tenho um amigo que estava indo para um show de Baleiro, não sem antes ligar pra me fazer figa. E eu o amo pela narração detalhada que ele faz em cada show que não pude ter ido em sua companhia.

E aquelas músicas que te passam uma história na cabeça? Outras que você é capaz de acompanhá-la sem nem mesmo gostar? Há, o Lepo lepo. Dia desses encontrei uma roqueirinha balbuciando Pássaro de Fogo e ninguém vai me dizer que não lembrança do ex-zinho. Sei que tem gente que vai eternamente lembrar de mim ao ouvir Clarice Falcão ou Engenheiros do Havaí, a menos que perca a memória... e esse poder me faz suspirar! *-*

Existe gesto mais íntimo que compartilhar o fone de ouvido? Não sei vocês, mas eu tenho por minha playlist um ciúme de quem adquire súbita posse por letras. Compartilhá-la é um misto de confiança, vulnerabilidade, um passo próximo de amor. Lembro-me de um desconhecido que me salvou numa viagem infernizada por um gospel estridente. Passamos horas calados, mas por um momento ele avistou minha cara de sofrimento e me ofereceu o fone, sem nem saber se eu iria gostar do seu forró. Não trocamos telefone, o seu nome eu esqueci, mas por onde estiver, meu filho, te abençoo onde for!

Eu sei, sei que existem os poser Los Hermanos que por uma menina de vermelho vestem uma camisa de festa e passam a curtir Polentinha do Arrocha... sei que tem mulher que vai arrastada para um show de Catra e chegando lá esquece Stevie Wonder. Mas quem vai reclamar? Óbvio mesmo é o poder da música que torna compatíveis em cúmplices.

Música tem a capacidade de aproximação rara e mágica, que alcança tanto o físico quanto o sensorial. A música nos alcança muito mais que preenche o silêncio, nos apresenta parecidos, torna uma plateia de iguais.

Sabe o que é estar em outra dimensão aquele que começa uma música e o amor completa. Sabe o que é sublime quem deita acompanhado apenas para se deleitar naquele novo álbum divino e sem palavras se sintonizam. Sabe o que é romance quem dança Say You, Say Me a luz de velas no entardecer de domingo.

O lado bom da vida mostrou que a música salva! Quer mais? Bobeira é não cair nas frequências dessa loucura.


E quando vejo casais sorrindo me pergunto qual a música deles. Felizes são aqueles que constroem trilhas! Daqueles que não conseguem se afinar eu tenho pena...

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