8.3.14

Confessar-se amor



Eu tenho tanto pra te falar,
o pedido egoísta de que não vá e faça do meu chão abismo.
Mas é que tanto você não quer ouvir...
E eu não posso mais te obrigar a ser meu abrigo.
Eu não tenho muito a te oferecer,
Mas todo o bem que tua presença me faz
eu juro repartir com você.
Tenho despetalado como flor
Não renovo ou exalo rancor
apenas sofro da ausência do teu cuidado comigo.
Se não pode ficar, dá um tempo, curte, aprende e volta,
Te perder seria a mais crua e profunda derrota,
e eu não aceito em vida te ver partir:
Teu amor a outro alguém é a única forma de me destruir!
Se eu não soube te preservar
nem mostrar o quanto fui feliz desde o começo,
Minha culpa, reconheço,
pago o preço que mereço.
Pontadas no coração não permitem,
não te esqueço.
Enquanto houver tempo,
serei fiel aos sentimentos que persistem e,
explico sem jeito:
É que por tantas vezes no bar
se tem mais esperança que em convento.
Nos aeroportos beijos mais sinceros que casamentos.
Nos hospitais súplicas mais honestas que em templos.
Nas ameaças de perdas e na profundeza da dor
que a verdade absoluta costuma esperar
o que não pode ser feito ou dito
para confessar-se amor.

(Laís Sousa)

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