16.4.14

Patinhos à venda




Quem dera fosse literal, tirar o patinho da lagoa seja pra criar ou comer. Mas o fato é que quem nunca arcou com o pato, expôs o pato a "venda", e esse bendito pato, na teoria, trata de nada mais nada menos que sofrer ou submeter alguém a frustrações. Porque alguém sempre paga o pato!

Vamos fazer um "quem nunca" superficial: Quem nunca foi vítima de uma tentativa de recomeço e quando embarcou foi abandonado no porto seguinte porque o "amor" estraviou? Quem nunca teve que se desfazer de sonhos e planos ou ainda da mala já arrumada? Quem nunca foi tomar posse de um cargo que já estava ocupado? Quem nunca ficou na fila de espera do vestibular por um e não passou? Quem não tentou se inscrever no Ciências sem Fronteiras e percebeu que o governo não incentiva quem estuda "ciências sociais"? Quem nunca?

Se for contar com bala perdida, tsunami, furacão, tem coisa pior na vida... mas poucas são tão caras interiormente quanto a maldita frustração, sabe? Aquela expectativa que se cria e é destruída por algo ou alguém de a gente gosta ou acredita, do contrário, não esperaria nada de bom.

E é na infância, sim, desde que o mundo é de fantasia para um respeitável público mirim, que se deve aprender a lidar com frustrações, sim, porque elas são as únicas realidades que acompanharão pro resto da vida. Porque a figura que se equilibra na corda uma hora se aposenta e o lugar será seu, e se não tiver aprendido a se equilibrar, tadinha da criança, a corda rompe e necessariamente a torna um adulto mais fraco que cai pra qualquer lado.

É sério, se a criança aprende a lidar com frustração ela passará pela via crucis de ser chamado de narigudo, perder o primeiro namoradinho em alguns dias de mal humor para não sucumbir na dor existencial que paralisa. Se a criança entende a frustração como parte da vida ela saberá enxergar alguma lição na derrota do torneio de futebol, senão, será sempre a conspiração do mundo que lhe atormenta e lhe desnudou em sorte.

Não acredito que as crianças ensinadas nem os adultos calejados um dia deixem de se frustrar, não enquanto houver vida. Acho até que pra alcançar uma certa resistência o nível de frustração é tão alto que não merece ser testado.

Particularmente, quando criança, aprendi lidar apenas com as frustrações sociais, nas emocionais ainda esperneio de mimo. Mas consciência eu tenho: se tenho que me frustrar, que os patinhos venham ordenados em fila, porque eu rastejo pra pagar um a um, mas quero quitar a dívida para erguer a cabeça e seguir em frente.

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