20.6.14

Pra lembrar corretamente

 "A gente implora a Deus para que nos ajude a esquecer um amor quando na verdade não é esquecer que precisamos: é lembrar corretamente." (Martha Medeiros)



É porque quando há amor e nos deparamos com a ausência nos encontramos bem perdidos em uma bifurcação. Pra onde seguir? Há quem trace os caminhos maquiavélicos da perversidade, das armadas, do ódio, de culpar, do desconto e arrependimento. Há também aqueles que trilham os passos da saudade, do desejo de ter de volta, é aquele seguir em frente que tenta calar os olhares para trás que não consegue esconder. O fato é que aceitando ou fugindo, encarando o sentimento ou tentando trocá-lo por outros, piores... as lembranças ficam.

É que a linha tênue das lembranças não nos permite ver em outro ângulo senão o de dentro da alma. O que marca, está lá em seu cantinho e volta e meia dá um jeito de rebolar por dentro. Lembrar corretamente é aceitar cada falta, todas as falhas, dar tchau na partida, entender que não há retorno, é agradecer a felicidade que chegou mas foi embora, é assumir o autoengano, ter a noção de que se houve felicidade valeu a pena mas nada dura pra sempre.

 Só a memória do coração. Dessa não há fuga! E aí, e aí a gente vai...

Vai pra academia pegar peso pra ver se ajuda a segurar a barra que é gostar de fulaninho. Vai pegar todos os CD's, as fotografias e jogar fora, no lixo, como se aquela fosse a chave que libertasse ciclaninho de dentro da gente. Vai pedir pra o mundo parar pra ver se consegue descer, pois esteve na lua sonhando e desaprendeu a sofrer. Vai no cavalinho. Vai embora e percebe que não há fuga de habitante interno. Vai e chora. Vai que vai...

Eu sei que antes do começo e no fim do caminho está Deus, na maioria das vezes solidário com nossas dores, algumas, creio até que sorri de como somos capazes de cavar nossos poços com as próprias mãos. Ele não vai tirar as memórias, nem boas nem ruins, pelo singelo fato de que cada uma delas são escolhas e se hoje existem ausências e faltas, a gente pode lembrar o que é bom, o que é ser feliz, não pode reclamar.

Coisa é que as lembranças não bastam... e as correções, as correções queremos por perto, até o dia que mudar de opinião.

Laís Sousa

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