31.8.14

Você não merece



Você não me merece,
mas alguma coisa dentro de mim teima em te merecer.
Você não foi amor a primeira vista,
 mas longe de conquista,
 é amor a perder de vista.
Uma vez te perguntei
mas nunca entendi
 porque tinha acontecido assim?!
como era lindo desconfiar da realidade
 que a inocência de uma moleca sonhou pra mim.
No meio de um pesadelo te encontrei
 e me equilibrei no desespero.
Você não me enganou.
Você me tirou do vendaval
e sendo tempestade,
de brisa se fantasiou.
Era somente você bloqueando falhas,
adicionando faltas, curtindo Engenheiros,
seguindo Miguel Cervantes
 e compartilhando o que apenas somos
 e não soubemos dividir.
Ia além das afinidades,
 teus esforços e talentos,
 teus defeitos,
teu conjunto me apaixonou.
Está tudo errado, mas de alguma forma,
só de pensar em você eu me concerto.
Houve o certo.
Se te maldigo ou te desprezo,
empedro.
Você não me faz bem, me fez melhor...
Você me assustou
 aparecendo sem castelo ou cavalo branco,
ao invés disso,
 era de verdade
e me apresentou um mundo em outro tom...
Mais que um príncipe,
que não acreditava,
você tornou meu mundo pequeno,
 e nele absolutamente reinava.
Você veio com melodia,
 me devolveu alegria na mesma proporção que roubava.
Sua fofura corroía meus dias,
 tão involuntário transmitir simpatia...
Eu me sentia segura, me sentia acompanhada,
 me sentia, sem qualquer magia!
Desculpa se não acordava só pra dizer "te amo meu bebê",
mais importante que isso,
até dormindo sentia.
Não te exibia,
talvez tanto guardei aqui que tenho demais em mim.
Você pegou minha mão
e não perguntou a sensação,
Você sabia!
 Me tirou do ar e fez voar,
deu energia.
Uma vez te falei pra me dar dinheiro não ousadia,
 você teimou...
Em troca, sem perceber,
já tinha te dado o que tinha de mais valor:
te dei confiança,
você nem pagou.
Entrei na dança,
cada passo me passou.
Danço descalça,
na areia tudo passa,
 mas o vento não te levou.
De mini saia,
sacana e cínica te raptou.
Parou, meu peito apertou, no meu coração...
Pausei meu ritmo em você
- não é difícil perceber que o que era valsa deu samba.
Sambei para acreditar,
para aceitar, para te pertencer.
Sambei quando não mais sabia aquietar meu bumbo
 e em silêncio me desfazer.
Sambei em Chico, Los Hermanos e até Caetano.
Muito mais que cinco, a seco!
A luz se apagou e restaram bobagens, Cícero e planos...
Os filmes que não assistimos,
os dois filhos que não quis,
o parque que não fui,
as mortes de riso que padecem,
as digitais nos meus livros...
E os amigos que acreditam saber definir quem merece.
Quem chama de derrota
não sabe o tamanho da eternidade que fincou.
No broto, do que matou,
a raiz não arrancou.
Agora me diz...
mereço alguém que cuide de mim direitinho
Quero responder...
do jeito que me deixou?
Lembro ainda assim do tempo,
do quanto Deus me abençoou.
Converso com bichinhos,
ao som de Armandinho...
Sorrio!
Você não merece o meu rancor.

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