19.9.14

Lucy: em todo lugar!


Sister Rust by Damon Albarn on Grooveshark

 Estávamos em dúvida entre dois filmes. Preferi não ler muito, escolher pelo cartaz e... escolhemos esse nomezinho da primeira "macaca": Lucy. Uma ficção com ação e seja o que Deus quiser. 

 Minha amiga entrou na sala comentando que Scarlett é um nome muito chique, eu apenas lembrei que a Johansson é tão gata que chega dar raiva e entrei na sala rezando o "que esse filme seja bom", uma vez que, ultimamente, a irrealidade de algumas imaginações tem se confundido tanto com falta de lógica. 

 Meu coração já começou a ficar confortável no segundo nome de ator que foi exibido na telona: Morgan Freeman. Enquanto eu relaxava, minha amiga comentava que "ele só faz filme bom". Um consenso! E dele veio toda razão do filme, mesmo que supostamente não exista veracidade na ciência exposta, mas quem vai duvidar da imponência estilo documentário do Discovery quando o pesquisador Norman explica?! 

 O enredo, no qual a jovem modelo é enganada pelo namorado e se depara com a gangue que lhe obriga a ser "transporte" de uma nova droga sintética, é ambientado no Taiwan. Vou confessar que quando vejo um olhinho puxado já espero ou violência demasiada ou excesso de idiotice do tipo Chan e Lee...mas nesse caso, eu até me apeguei a um figurantezinho cujo nome não foi encontrado nem com reza braba nas minhas buscas pela internet. Carreira longa pra aquele moço! rs... 

 O frenesi começa quando o pacote inserido na barriga de Lucy estoura. A substância contida é capaz de aumentar o potencial do cérebro. Partido do pressuposto de que os seres humanos usam apenas 10% da capacidade intelectual, Lucy torna-se o experimento prático do pesquisador que por vários anos cria teorias do que aconteceria caso o homem utilizasse apenas 20% dessa capacidade (o golfinho usa 20% sabiam?). A medida que aumenta a porcentagem, Lucy vai ganhando "superpoderes", que lhe possibilita aprendizagem instantânea, ler mentes e mover o que encontrar pela frente, além da capacidade de não doer. Torna-se uma matéria definitivamente evoluída, visto que não precisa de contato físico para livrar-se de empecilhos e ainda consegue se comunicar através das energias de qualquer meio, rs. 

 Devo parabenizar o Luc Besson porque "sambou", roubou a cena - que diga Os Mercenários, que também está em cartaz. O diretor francês, que permanecia figurando em meio a tantos outros idolatrados pelos críticos do cinema, tem minha simpatia desde que aumentou a visibilidade do Jason Statham em Carga Explosiva (2002), mas no filme Lucy, Besson mostra que encontrou o caminho, é por aí!

 Não foram explorados somente os fatores ecléticos permitidos pela exuberância irrefutável de Johansson, o cacife de Freeman e a previsível cordialidade da galera que curte o filme Oldboy do Tarantino e pôde ver o Choi Min-sik no elenco. Além de confrontos bem ensaiados, fuzilaria pesada e perseguições automotivas das boas, Besson construiu a história em uma linha bem direta e clara. A personagem Lucy não busca somente justiça contra o chefão do crime, impedindo os planos de traficar pela Europa, mas também busca se compreender em meio a toda transformação. Parece muito conteúdo, mas em 1:29h eu vi se encaixar início, meio e fim.  

Em determinado momento cheguei a comentar que se a gente enxergasse o mundo daquela forma, talvez eu teria aprendido biologia, rs, mas o fato é que fica na cabeça a eterna incógnita do que o homem seria se fosse "cem por cento". A medida que a porcentagem da Lucy aumenta, Johansson encena magnificamente as mudanças das referências que definiam a personagem como humana. "Tá virando máquina?", "Vai parar onde?", "Vai virar Deus", era o que podia ouvir no ambiente...

 A trilha sonora não me chamou atenção e talvez esperava-se mais do final para um filme tão grandioso - qual eu não faço ideia, então acabei aceitando pra doer menos. Nossa matéria mentaliza ou nossa mente materializa, decida! Valeu a pena todas as belas imagens das belas artes (em especial o show que tornaram a versão de "A Criação de Adão" do Michelangelo), da natureza que se adapta ou se fragmenta, as comparações do ser racional e irracional em suas atitudes e reações. Valeu a reflexão de que o ser humano se preocupa mais em gastar suas habilidades com o ter que com o ser. "O tempo é a única unidade de medida exata" e isso não parece errôneo ou fictício como também o fato de que "o melhor que podemos fazer com o conhecimento é passá-lo adiante"... 

 Beijos, porque no fim eu não soube o que dizer, rs.

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