9.10.14

Ame a liberdade, liberte-se!

"Amiga, você gosta é de gay!" - Ouvi essa frase inúmeras vezes, por pessoas diferentes, tanto que isso começou a ecoar em minha cabeça em cada flerte. Mas um dia eu percebi que 'meus meninos' eram pouco julgados por suas atitudes como pessoas e mais por estereótipos que "homem que é homem" deve ter.

Dias desses li em uma página encontrada na internet sobre as bandeiras pelo fim do patriarcalismo e machismo levantadas pelo movimento "Homens, Libertem-se/Men Get Free" (assista o vídeo), do coletivo mo[vi]mento MG/RJ em parceria com o grupo de teatro The Living Theatre, de Nova York. Achei o máximo! O que faltava na luta feminista, uma vez que sempre pensei no propósito dessa causa como a igualdade do ser humano, não a exaltação das diferenças de gênero. Homens que desfrutam junto da liberdade não têm subsídio para opressão!

Se existem novas possibilidades para mulheres, porque não há mudanças para homens também? Então eu posso escolher não ter filho, trabalhar fora de casa e ajudar nas despesas, cortar meu cabelo curtinho, revezar calça com vestido durante meus dias, decidir gostar ou não de futebol, estar a fim ou não de fazer sexo... mas meu parceiro tem apenas que cumprir requisitos de auto afirmação?!

Um dos 'meus meninos' rapava os pelos também das pernas e me explicou que se sentia incomodado quando cresciam. Adorei isso! Outro me falou que, se acaso fossemos abordados por bandidos, correríamos juntos do perigo. Senti-me até mais segura ao saber que ele assume suas fraquezas e que não iria se colocar em risco tentando ser o super-homem que me protege enfrentando os vilões! Alguém assistia comigo uma série que os amigos julgavam ser "de mulher", no entanto, ele se permitiu gostar e era minha melhor companhia. Tinha um que ouvia atentamente as letras de Chico Buarque e escrevia poesias do fundo da alma. E aquela alma não seria outra coisa senão amável!

Os 'meninos', que por serem raros não foram tantos e por ironias da vida não são mais "meus", me respeitavam do meu jeito e fizeram perceber que eu gosto é de homens que apenas são. Com medos, com defeitos, com desejos, com escolhas. São livres! E choram e riem, se declaram e se confessam. Cuidam bem de criança e cozinham melhor que eu. Nenhum deles gostava sexualmente de outros homens, mas sim, não tinham problema em amar e abraçar os amigos como irmãos...

Faz tempo que parei de me preocupar se minhas escolhas eram questionáveis, importa que não choquem a mim. Hoje, se alguém acha que eu gosto de gays, gosto mesmo, mas sexualmente não os converto. Me atraio é pela espécie masculina que sabe que seu maior valor está em ser humanamente livre, de cabeça boa e coração puro.    



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