18.11.14

Não há dependência em agradar!

Pra começar, na primeira circunstância, entre em consenso do que cada um entende como "agradar" e "depender". 

Porque isso? Um dia um namoradinho emperrou no pedido de que eu fizesse o prato dele de forma que, sinceramente, estava começando a me sentir uma vilã, acreditando que ele ficaria com fome se não atendesse a manha. Confesso, a cada segundo tinha mais convicção de que não concordaria em fazer isso, a menos que ele tivesse alguma impossibilidade física de organizar seu o próprio prato.

Não me espantei que uma situação dessa acontecesse com alguém que é filho único, de mãe separada. Ele sempre me disse que se virava sozinho, cozinhava o trivial, assim como eu, que passou longos cinco meses morando fora de casa, embora tivesse sido na mesma cidade da casa da mãe, mas quando teve a oportunidade de "fazer a cama", cumpriu a tarefa de forma tão questionável que parecia ter sido uma das poucas tentativas em vida.

Não o critico, muito menos as crenças que levaram a ser criado desta maneira, embora acredite que todas as mães também tenham que ter noção da diferença entre agradar e criar um vínculo de dependência com seus filhos. Ainda que com estas observações, reconheço que ela deu a ele responsabilidades masculinas que equilibraram o mimo de reinar soberano em terra de mulher.

"Eu não sou seu irmão", foi a resposta que ele me deu quando comentei que aos 6 anos meu irmão já aprendia a dar conta da lavagem de suas roupas íntimas - só pra deixar claro que o afeto era diferente, mas também, que ele fora criado de outro modo. Juro que pensei em dizer que não era sua mãe, mas percebi que essa não era a melhor forma de fazê-lo entender que ele não precisava depender de mim.

Naquele dia, almoçamos silenciosamente, porque com inteligência súbita, ao colocar a comida na mesa para que ambos nos servíssemos, informei que, dentro da minha inaptidão como cozinheira, tinha tentado fazer um de seus pratos preferidos (e isso era agradá-lo), mas ele iria se servir o quanto quisesse  (e assim não daria chance a dependência de uma mulher que ele não iria ter em mim).

A ideia aqui não é me expor ou dar lição de moral a mãe nenhuma,  afinal, dou pitaco mas não tenho cacife. A ideia é incentivar as meninas, mulheres, para que não tentem ser alguém que vá cansar quando a rotina perder a graça.

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