19.1.15

O que quero fazer caso envelheça...


“Quando tiver velha, quem vai cuidar?” – essa é uma pergunta típica para quem não pretende ter filhos. Mas convenhamos, que questãozinha subjetiva até mesmo pra quem quer, viu?!

Quantos idosos têm filho que, pela correria da rotina - inclusive na obtenção de recursos para ajudar no sustento dos pais -, não tem tempo disponível para dedicar-se ao cuidado necessários, recorrendo a terceiros?! E quantos pais na melhor idade se recusam a ‘dar trabalho’ na casa dos filhos ou aceitar uma ‘babá’ em casa a menos que estejam de cama?! E quantos filhos morrem antes de seus pais numa ordem inversa do ciclo de vida?!

“Eu pretendo fazer minha previdência” às vezes é uma resposta que choca, mas... vejo meu avô triste, sem ter a mesma autonomia que tinha para sair, espairecer. Acredito que ele ficaria mais feliz num lugar onde pudesse compartilhar experiências com pessoas da mesma faixa etária. Seria uma boa distração, caso a ideologia da sociedade em que cresceu não fizesse de asilos um purgatório que prova um abandono familiar ou até mesmo que a pessoa não é querida.

Pelo mesmo motivo, não tenho coragem de investir nas instituições para meus pais. Eles já deixaram claro o receio de ficarem num lugar ‘assim’, e eu respeito suas vontades, embora ache que, mesmo presente por amor, minha assistência será irrisória pelo simples fato de que não tenho nenhuma prática na área de saúde para auxiliá-los de forma operante nas carências físicas.

No entanto eu, em outra geração, penso diferente mesmo de alguns reprodutores do padrão em minha geração, que despejam em filhos, que ainda não chegaram ou que pretendem ter, o peso da responsabilidade de uma melhor idade que é própria, sem nem ao menos saber se irão viver, poder, querer... Pra mim isso soa como uma espécie de troca de favores, sabe?! ‘Te criei pra tu cuidar de mim quando eu precisar, meu filho’, e não acho que relações afetivas são estabelecidas por obrigações.

Acredito que serei muito feliz curtindo, fofocando e aprendendo crochê por tardes a fio com minhas colegas velhinhas bem vividas em lugares ‘assim’, sabe?! Com assistência o dia inteiro acaso precise de cuidados médicos. Eu quero esses lugares ‘assim’, onde a fiscalização é rígida com maus tratos e os profissionais são qualificados. Eu quero visitas que irão me encontrar depois de uma aula 'da hora' de educação física, por amor, num lugar ‘assim’, que tenha um balanço bem legal no jardim. E eu estarei lá, balançando com um livro e graus a mais nos meus óculos, num estilo 'supimpa', que agrega aos meus cabelos branquinhos a paz.

 Acredito que, desta forma, a passagem do tempo e a decadência do corpo não ficam tão nítidas e sofridas. E por isso, está em meus planos de trabalho a poupança para que me banque acaso chegue no amanhã sem ser carga de ninguém, ainda que tenha filhos. Não é autossuficiência, apenas um #PartiuAsiloFeliz!

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